Rachaduras, pichações
dedos quebrados, buracos
merda de pombo
eu sou uma efígie sem valor
que sonhava ser esculpida em mármore
eu sou um anjo caído entalhado em pedra-sabão.
Sou moradia de insetos noturnos
de aranhas, vermes e larvas
eu sou o toque áspero que, com força, corta a pele
eu sou uma figura esquecida montada num cavalo sem glória
minha espada esfarela na bainha.
Meus olhos pairam sozinhos sobre a praça
assombrações de uma existência sem razão
as memórias de um escultor sem nome
as rachaduras cada vez maiores em minhas fundações
todas me forçam a mexer
mas eu não me mexo
eu permaneço sem vida.