O desejo é uma megera indômita,
é uma puta indomável
que repousava em teu ventre.
Que curvas não delineavam tal horizonte suntuoso,
que alma não guardava o mistério da derme.
Sabe o tempo o dispêndio do desejo,
o tempo efêmero que escorre sob os olhos que admiram.
É a corrente, a chibata,
a caligrafia que escreve meu destino em tua pele;
meu martírio momentâneo
a cruz de palha que carrego.
E você, cândida e impura
que nem perante a Deus se curva
e lhe desafia os limites da criação.
O sol sabe quando deve se pôr,
você não se põe nunca.
Tal que nenhuma penumbra se veja,
nem sombra que não fosse a tua
pensasse em se opor à escuridão,
de baixo eu te vejo, ominosa e grandiosa
mas eu sou pequeno
eu sou minúsculo.