que à visão de você fica rijo e perde o arbítrio
e o sentido e a direção
deixa meu corpo para viver impossibilidades
com a versão sua de minha criação
se ergue do caixão em oração
para contemplar por um minuto
a crueldade de sua perfeição.
Mas da areia em que você pisa eu sou um grão
entre outro milhão que se amontoa à sombra de teu pé
mantenho a fé em ser ouvido chamar
com meu grito abafado pelo barulho do mar
me misturo ao sal e a teu corpo
quando você entra a nadar.
E toda barreira de distância ou sensatez
a estupidez de meu desejo afronta
quando minha alma se desmonta
a atravessar serras e fronteiras
seguindo o sol a caminho do mar
sem ter a certeza que conseguirá te encontrar.