Da boca do poço de pedra
me jogam a corda com um olhar que despreza
mas do topo é impossível compreender a queda
e toda vez que a chuva se anuncia
o céu de anuvia e se enche o poço
e a água que meus tornozelos cobria
me chega agora até o pescoço
e toda vez que treme a terra
não berra minha voz a clamar por ajuda
nem no mais cruel terremoto
nem na mais inclemente chuva
eu pensaria em deixar
a profundeza que me enterra
e se faz o sol uma sombra
projetar-se ao redor de minha treva
de um coração nobre que de mim se apieda
não lhe explico por que não aceito sua corda
pois do topo é impossível compreender a queda.