quinta-feira, 11 de maio de 2023

Garganta

Tire as mãos de minha garganta
tire o nó de minha goela
eu não enxergo quase nada
está derretendo a aquarela
você senta em meu peito quando durmo
me sufoca com o travesseiro pra acordar
minhas mãos não são mais minhas quando tremem
meu pé já não é mais meu ao formigar
vou cair morto a qualquer instante
vou ver estrelas e vou vomitar
vou perder todo controle do meu corpo
e não há ninguém que possa me salvar
mas quero gritar por socorro
me atirar ao solo em convulsão
mas você abafa o meu grito
você não tira de mim a sua mão.

Eu sou pequeno, frágil, minúsculo, incapaz
qualquer brisa me carrega às tuas garras de Satã
e você larga minha garganta e diz
que vai voltar amanhã.