A fumaça densa desenha carros;
e os carros densos, em denso movimento,
fazem do céu sua pintura
de fumaça sobre tela.
Seus pulmões aspiram e cospem poeira,
e tumores passeiam por suas teias
de tabaco e nicotina.
E diante do vasto vazio de tudo isso,
não há deuses que retenham
o poder da salvação
da insignificância.
Só há fumaça,
que rodopia pela via láctea;
pelo imenso vale da morte do universo,
só resta a lembrança
daquilo que já foi vivo.
Diante do vasto vazio de tudo isso,
cada qual é Deus
diante do vasto vazio
de si mesmo.
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