O que se pode de um amor esperar,
entregarei-te aos pés por toda vida;
até que enfim estejas decidida
à promessa de tua alma proclamar.
Toda emoção que eu fizer sentida,
será inevitável após te amar;
e toda canção que puder eu te cantar
será minha alegria ser ouvida.
Em ser sozinho, meu pranto se declara,
em tua falta, meu corpo se estranha,
e em teu caminho, meu andar se para.
Como quem espera mar levar montanha,
espero teu abraço que me ampara;
espero com impaciência tamanha.
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018
terça-feira, 20 de fevereiro de 2018
Soneto da Espera
Eu aguardo com primor o tenro dia
que encontra a vida minha a tua;
e não preciso mais que a luz da lua
a luzir no céu da noite que seguia.
Quero ouvir a cada palavra crua
despertar da doce voz que as diria;
e lá dar-te minha mão que tocaria
a juventude de tua fronte nua.
E que eu possa deitar-te em meu peito
a beijar-te com cobiça e desejo,
amar-te com luxúria em meu leito.
E quando teu olhar brilhar num lampejo,
estarei lá para sentir o efeito;
por ora, apenas sonho e almejo.
que encontra a vida minha a tua;
e não preciso mais que a luz da lua
a luzir no céu da noite que seguia.
Quero ouvir a cada palavra crua
despertar da doce voz que as diria;
e lá dar-te minha mão que tocaria
a juventude de tua fronte nua.
E que eu possa deitar-te em meu peito
a beijar-te com cobiça e desejo,
amar-te com luxúria em meu leito.
E quando teu olhar brilhar num lampejo,
estarei lá para sentir o efeito;
por ora, apenas sonho e almejo.
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018
Da Fome Carnal II
Desejo, de súbito
meus olhos te despem
te dominam
te devoram.
Minha vontade lhe come a veste
e lhe tira o sossego
sem que você perceba
que está nua.
E você enfim é fogo
que se consome em minha mente
e se consuma
em fome carnal.
meus olhos te despem
te dominam
te devoram.
Minha vontade lhe come a veste
e lhe tira o sossego
sem que você perceba
que está nua.
E você enfim é fogo
que se consome em minha mente
e se consuma
em fome carnal.
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018
Água
Este poema é água
transparente
insípido
incolor
sem gosto.
Este poema
é dois terços de meu corpo
é um terço de meu copo
este poema
é hidrogênio
é oxigênio.
Este poema
está engarrafado
este poema escapa
e goteja
goteja
goteja.
Do calor de minha insônia
este poema evapora
do frio de meu sono
este poema
congela.
transparente
insípido
incolor
sem gosto.
Este poema
é dois terços de meu corpo
é um terço de meu copo
este poema
é hidrogênio
é oxigênio.
Este poema
está engarrafado
este poema escapa
e goteja
goteja
goteja.
Do calor de minha insônia
este poema evapora
do frio de meu sono
este poema
congela.
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018
Macumba de Macunaíma
Ferro que passa
flor que cheira
lábio que beija
peixe que nada
ave que voa.
Flor que passa
lábio que cheira
ferro que beija
ave que nada
peixe que voa.
Cuia de aço
panela de ferro
ave que passa
verão de andorinha
pai da mata.
Cachaça de cana
flor de goiaba
pena de índio
cajado de Oxóssi
pai de andorinha.
Cuia de cana
ave de aço
flecha que mata
machado que corta
cachaça que cheira.
Mendigo de rua
planta de vaso
peixe da mata
mala de couro
pena que passa.
Ave de couro
roda de ferro
macumba de rua
lua de poça
andorinha de ave.
Passo de ferro
cheiro de flor
beijo de lábio
nado de peixe
voo de ave.
flor que cheira
lábio que beija
peixe que nada
ave que voa.
Flor que passa
lábio que cheira
ferro que beija
ave que nada
peixe que voa.
Cuia de aço
panela de ferro
ave que passa
verão de andorinha
pai da mata.
Cachaça de cana
flor de goiaba
pena de índio
cajado de Oxóssi
pai de andorinha.
Cuia de cana
ave de aço
flecha que mata
machado que corta
cachaça que cheira.
Mendigo de rua
planta de vaso
peixe da mata
mala de couro
pena que passa.
Ave de couro
roda de ferro
macumba de rua
lua de poça
andorinha de ave.
Passo de ferro
cheiro de flor
beijo de lábio
nado de peixe
voo de ave.
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