Que ausência de sentido,
que bobo meu sorriso.
Uma vida sem poder te ver seria
um grande desperdício de vida.
Não tenho voz, tenho um rosto;
não tenho modos, escrevo versos.
Os velhos protestos das mesmas velhas paixões.
As velhas manchas nos velhos colchões.
Novos dias, novos modos, novos tempos.
Mesmos velhos vícios.
Marcas de copos, dores de cabeça,
os restos de tabaco em meu bolso,
meus medos cândidos,
dissolvem-se na bulha castanha de seus olhos.
As feições mais delicadas,
mais dissimuladas,
mais puras
a causar balanços
no torpor e na negritude de minha alma.
Sorte é poder estar vivo
no mesmo espaço e tempo,
na mesma hora, minuto e segundo
e olhar na direção exata
para te ver sorrindo.
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