segunda-feira, 20 de março de 2017

Pâmela

Para Pâmela Oliveira

Talvez aos olhos de outrem,
não seja o mais belo ser
que, pela terra, lança seus passos;
mas não é a outrem
a quem arquiteta seus abraços.

Aos meus olhos, é sim
o mais belo ser,
criação de alguém;
de Deus, de Alá,
de Xangô, de Ogum ou Iemanjá,
ou de ninguém;
do ventre livre que lhe deu à luz.

É você, morena dos olhos negros e gentis,
a inocência e a indecência,
dentro do mesmo imperfeito ser.

Os anéis de teus cabelos,
que rodeiam meus sonhos e meu coração,
fazem-se de corda bamba,
e a mim fazem de equilibrista,
sobre os abismos acidentados
de um amor imenso.

E os anéis de suas palavras
que dançam livremente ao vento
hão de ter eternamente meus ouvidos, como templo
para as inquietações de sua voz.

Tal qual a gralha e a araucária,
em meu coração poeta vagabundo
plantou a inquietude pungente
de saber amar.

Azar de quem não sabe que a vida
é tão inegavelmente bonita
quando se tem ao seu lado
alguém que sabe que o espetáculo do amor
tem de continuar.

segunda-feira, 13 de março de 2017

Pela Eternidade

Para Pâmela Oliveira

Quereria meu coração
ter as batidas suficientes
para amar-te
pela eternidade.

Quereria minha voz
ter as pregas vocais suficientes
para cantar com você
pela eternidade.

Quereriam meus pulmões
terem o ar suficiente
para te respirar
pela eternidade.

Quereria minha boca
ter a saliva suficiente
para beijar-te
pela eternidade.

Quereria minha pele
ter o tecido nervoso suficiente
para te sentir
pela eternidade.

Quereria minha vida
ter os anos suficientes
para passá-los com você
pela eternidade.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Para Ana?

Cara desconhecida,
a você eu dedicaria
toda a vã inspiração de minha poesia;
a você eu daria os pensamentos,
meus pesares e descontentamentos,
se ao menos o seu nome eu soubesse.

Cara morena dos cabelos curtos,
teu olhar é desdenhoso e teu andar é dolorido,
mas eu te desejaria,
eu te quereria,
se eu pudesse.

Minha cara idealização,
sei que não sou mais que um galho quebrado
em teu caminho de pedras;
não sou mais que a folha
que, ocasionalmente,
passeia em teus cabelos.

É você quem faz esta poesia sem ritmo

e sem rimas,
como as batidas de meu coração
quando você passa.

Você, que talvez contentaria
meu ser eterno descontente,
você, que talvez me inspiraria
a escrever algo decente.