Para Pâmela Oliveira
Talvez aos olhos de outrem,
não seja o mais belo ser
que, pela terra, lança seus passos;
mas não é a outrem
a quem arquiteta seus abraços.
Aos meus olhos, é sim
o mais belo ser,
criação de alguém;
de Deus, de Alá,
de Xangô, de Ogum ou Iemanjá,
ou de ninguém;
do ventre livre que lhe deu à luz.
É você, morena dos olhos negros e gentis,
a inocência e a indecência,
dentro do mesmo imperfeito ser.
Os anéis de teus cabelos,
que rodeiam meus sonhos e meu coração,
fazem-se de corda bamba,
e a mim fazem de equilibrista,
sobre os abismos acidentados
de um amor imenso.
E os anéis de suas palavras
que dançam livremente ao vento
hão de ter eternamente meus ouvidos, como templo
para as inquietações de sua voz.
Tal qual a gralha e a araucária,
em meu coração poeta vagabundo
plantou a inquietude pungente
de saber amar.
Azar de quem não sabe que a vida
é tão inegavelmente bonita
quando se tem ao seu lado
alguém que sabe que o espetáculo do amor
tem de continuar.
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