quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Hidra

Perdoa meu olhar que não consegue
sair de você
e eu perdoo o teu olhar
por me roubar o sono
à noite toda.

Teu rosto e teu corpo
são paisagem do Oriente
e desafia aos meus tristes
olhos europeus
a decifrá-los.

Teus lábios pouco expressivos
não cobiçam os meus
que só fazem te cobiçar.
Minha cobiça sussurra
onde termina teu cabelo,
mas você nunca nem
dignaria-se a ouvir.

Eu talvez não seja mais que uma abelha
atraída pelo pólen 
do teu cabelo cor de mel.
E meu voo você derruba
com tua voz cantora,
com tuas mãos que fazem vibrar
as cordas que me enforcam.

Se eu fosse diferente, quem sabe,
você me enxergaria.
Quem sabe, fosse eu mulher
fosse menina, moça, guria,
ganharia atenção das tuas pupilas
por trás das tuas lentes.

Quem dera eu pudesse
fazer-me ser notado;
à sombra das cores do teu cabelo
minha alma enferma
descontenta-se em ser amada.

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