sexta-feira, 4 de maio de 2018

Da Insônia

Foi como um sonho lúcido;
a neblina, a tentação, as memórias de alcova,
um grito subconsciente,
mas não era um sonho.
Há muito que não sonho,
pois há muito que não durmo.

Minha caneta seca, parada;
Junta, em torno de si, poeira;
os fetos abortados dos poemas que nunca escrevi.
Todos os versos sem rima que morreram
antes de nascer.
Há muito que não escrevo,
pois nada mais me inspira.

Mas alguma coisa aconteceu
que me fez assoprar a poeira
e sonhar novamente.

Meu coração dói, mas dói com esperança.
A esperança de um novo amor
cresce no terreno baldio sujo,
no solo quebradiço e seco,
onde nada mais crescia.

E se essa semente agora brota,
cultivarei-a na várzea mais fértil de minha alma
para que, enquanto for eu vivo,
ela jamais feneça.

Nenhum comentário:

Postar um comentário