Para uma desconhecida
Eu contemplava a vista da floresta densa de concreto
quando te vi graciosamente pousar num galho.
Parei, então, para te admirar.
De binóculos aos olhos, eu espiava.
Você batia as asas com a graça que lhe tinha cada gesto,
e suas penas brincavam com a espontaneidade que tem o sol
em se levantar todos os dias.
Eu estava fascinado.
De todos os anos que passei
a observar, estudar e catalogar
todo pássaro que achava,
você era um dos mais belos a me roubar a atenção.
E eu estava longe, tão longe,
que nem cheguei a ouvir seu canto.
Tive medo de que, se eu me aproximasse,
você logo voaria, assustada.
O assustado era eu.
Como eu internamente desejava que você pousasse em meu dedo,
que cantasse para mim,
que me deixasse admirar...
Azar!
Você que talvez não queria ser admirada,
ou eu que esperei demais para tentar.
Você voou embora e me deixou imaginando
com que notas você compõe seu canto.
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