Seria amar, instinto,
ou consequência do pecado da carne?
Eu não saberia, estava bêbado,
e quem ama não pensa.
Eu não pensava, estava bêbado;
e, se fosse nos enclausurar a culpa
de princípios de adultério,
que assim fosse.
A noite era imensa,
nosso amor era imenso,
e quem ama não pensa.
Minha boca talvez exalasse
o odor nauseante de aguardente;
a noite que se construía
de cachaça, cerveja, álcool como fosse,
privou-nos de pensamento, e, com efeito,
não pensa, quem ama.
E a manhã também foi imensa;
como quem acorda de um sonho pecaminoso,
acordei ainda sonhando.
Creio que nem cheguei a dormir.
O peso da noite ébria
ainda me tonteava a cabeça.
Mas eu ainda não pensava,
e quem não pensa, ama.
Decorreu, desta forma, a madrugada;
o amor que ali, consumou-se novamente,
dali será, eternamente.
Então eu soube, estava sóbrio;
eu sabia, mas não pensava.
Quem ama não pensa, e
naquela noite,
quem amava éramos nós.
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