Em meus sonhos criei você
e te pintei como um retrato.
Para o cabelo, escolhi a mais negra
tonalidade de marrom,
e para os olhos,
a mesma.
E sua pele, tão branca,
como se não a tivesse sequer pintado.
Seu cabelo, primeiro, deixei comprido.
Não combinou.
Cortei-os à altura das bochechas
e podei-lhe uma franja.
Ditei-lhe seus interesses,
moldei seus ouvidos para que ouvissem
a música que eu escolhesse.
Ensinei-lhe línguas.
Inglês, francês,
até italiano.
Ensinei-lhe a ler
para que devorasse todo e cada livro
de minha estante.
Ensinei-lhe música,
para que seu piano e meu violão
acompanhassem nossa voz.
E aprendi a te amar.
Mesmo sem te conhecer,
eu te esperava.
Mesmo quando meu amor
estava no presente.
Até que encontrei você.
Sem saber se sonhava,
me aproximei.
Pedi para que fosse comigo
aos limites do universo.
E você, então, me respondeu
na calma e doce voz que eu lhe dei:
"Eu sou sua mulher perfeita.
Fui construída à imagem e semelhança
de sua melhor parte.
Tenho em mim
tudo o que você quis,
tudo o que você quer
e tudo o que você quererá,
mas eu sou um sonho.
Eu sou seu sonho,
e seu sonho não existe."
E então, eu volto a dormir
e procuro em mim outro sonho.
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