terça-feira, 10 de julho de 2018

Sofre o Homem

Sofre o homem da saudade ingrata
da terra, da pátria, da mulher amada
da infância querida, da mãe falecida
o veneno rijo do tempo não traz,
apenas leva.

Sofre o homem da doença impiedosa
da gripe, do câncer, da pneumonia
cirrose, linfoma e anemia
e o que não mata traz a dor
da existência contínua.

Sofre o homem da dor ininterupta
da cabeça aos pés às pernas
de ser, de estar, de ter
e de não ter.

Dor de amor, dor de alma, dor de dente
dor por dor, é tudo o mesmo.
O que não sofre o homem
já sofreu ou ainda sofrerá.
Todo homem tem saudade,
todo homem dói,
todo homem é doente.

O mundo sofre o homem
e o homem sofre o mundo.

Oxum

Oxum, banhada a ouro
batia tambor, batia atabaque
brilhava de jóias, brilhava de olhos
vestida de branco, banhada de ouro,
que linda, Oxum.

Não a rainha dos rios
e mãe das cachoeiras
do panteão da umbanda.

Minha Oxum é menina pálida
de cabelos cróceos e olhos fluviais
deusa-moça de pureza
que batuca, canta e gira
no romper da madrugada.

Eu vi Oxum mas Oxum não me viu,
não sou espírito digno de grandeza.
Em sua pureza, coberta de ouro, ela cantava
e não vi outro rosto senão aquele,
e não ouvi outra voz senão aquela,
e outro pensamento não me permeava senão aquele:
que linda, Oxum.