quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Céu do Sul

Para Pâmela Oliveira

Seu casaquinho vermelho de lã
o velho vestido e o velho encanto
se lembra?
faz tanto tempo...

Por mais breves que sejam,
os anos não perdoam ninguém.
Engorda-se, emagrece-se e engorda-se de novo
briga-se, separa-se, reata-se e briga-se de novo.
Os anos vendem as crises
e nós as compramos sem saber

Até que a morte os separe, diz o amor
mas a morte nos separou tantas vezes
que surpreende-me estar vivo.

O amor está longe de ser perfeito
e mais longe ainda de trazer felicidade.
É, de fato, a esperança de que quando cair o pano
a plateia não aplauda sua tragédia
mas que ria da comédia
e que chore comovida sua paixão.

É o amontoado de metáforas místicas
sobres seus neurônios e seu miocárdio.
As minhas eu lhe daria, mas você os roubou de mim
naquele banco sujo de terra
e infestado de mosquitos
sob a redoma prateada do céu do sul.

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