Para Matheus Camargo
Ela passou, passa, e passando, passará;
e quando ela passa,
não há veia em meu corpo
que não se dilate em desespero.
Quando ela passa em passos de concreto,
minhas paredes racham,
minhas colunas desabam,
minhas estruturas bambas
desfazem-se à pó.
Minha paixão silenciosa
vai, sem precisar dizer nada.
Já disse, diz, e dizendo, dirá,
que não disse nada.
Não há olhos vivos que não vejam
como meus olhos vivos doem-se
em vê-la,
quando ela passa.
quarta-feira, 26 de abril de 2017
terça-feira, 11 de abril de 2017
Soneto da Rejeição
Para Matheus Camargo
Indiferente, como um retrato, se fazia
o rosto frio, feminino, inexpressivo;
como fizesse um silêncio agressivo,
o grito de desespero não se ouvia.
E por mais alto que fosse o pranto,
nada se ouvia que não fosse quieto;
e o sorriso, por mais que fosse aberto,
nunca inspiraria a nenhum único canto.
E a chuva que caía como a noite,
não apagaria o fogo de não ser quisto,
e de receber a dor triste do açoite.
Lia-se então no olhar que vinha,
nitidamente nele se enxergava,
que amor nenhum ali se tinha.
Indiferente, como um retrato, se fazia
o rosto frio, feminino, inexpressivo;
como fizesse um silêncio agressivo,
o grito de desespero não se ouvia.
E por mais alto que fosse o pranto,
nada se ouvia que não fosse quieto;
e o sorriso, por mais que fosse aberto,
nunca inspiraria a nenhum único canto.
E a chuva que caía como a noite,
não apagaria o fogo de não ser quisto,
e de receber a dor triste do açoite.
Lia-se então no olhar que vinha,
nitidamente nele se enxergava,
que amor nenhum ali se tinha.
terça-feira, 4 de abril de 2017
Lhe Cantaria o Mundo Inteiro
Para Pâmela Oliveira
Meu amor eu lhe cantaria,
e lhe cantaria o mundo inteiro;
proclamaria-lhe sobre um palco,
atuaria-lhe em mil teatros,
pintaria-lhe mil quadros,
escreveria-lhe mil sonetos.
Não cansaria de anunciá-lo
em toda língua ou dialeto
que eu souber pronunciar.
Não o limitaria à gramática;
meu amor seria verbo transitivo, intransitivo,
seria adjetivo, advérbio ou adjunto,
seria substantivo abstrato.
E ao cantá-lo,
não o limitaria à forma, métrica ou rima.
Não lhe podaria as asas
para encaixar-lhe em poesia artificial,
não o moldaria a formatos irreais
para se passar por perfeição.
Não haveria acordes o suficiente
em toda a escala musical
que compusessem sinfonia
para dançar à sua voz.
Traria-lhe todos os cantos
do Brasil e do mundo;
faria-lhe rainha da Espanha,
faria-lhe minha virgem dos lábios de mel:
minha Iracema,
faria-lhe minha garota de Ipanema.
Tomaria o sol para dançar tango,
e do céu faria passarela,
de todo o espaço faria espelho,
da galáxia faria pista de dança
para que todos os planetas dançassem
ao som de sua risada.
E subiria às alturas,
e com todo o meu ser,
com toda a minha voz,
com todo o ar de meus pulmões
e por toda a minha vida,
eu diria:
eu te amo.
Meu amor eu lhe cantaria,
e lhe cantaria o mundo inteiro;
proclamaria-lhe sobre um palco,
atuaria-lhe em mil teatros,
pintaria-lhe mil quadros,
escreveria-lhe mil sonetos.
Não cansaria de anunciá-lo
em toda língua ou dialeto
que eu souber pronunciar.
Não o limitaria à gramática;
meu amor seria verbo transitivo, intransitivo,
seria adjetivo, advérbio ou adjunto,
seria substantivo abstrato.
E ao cantá-lo,
não o limitaria à forma, métrica ou rima.
Não lhe podaria as asas
para encaixar-lhe em poesia artificial,
não o moldaria a formatos irreais
para se passar por perfeição.
Não haveria acordes o suficiente
em toda a escala musical
que compusessem sinfonia
para dançar à sua voz.
Traria-lhe todos os cantos
do Brasil e do mundo;
faria-lhe rainha da Espanha,
faria-lhe minha virgem dos lábios de mel:
minha Iracema,
faria-lhe minha garota de Ipanema.
Tomaria o sol para dançar tango,
e do céu faria passarela,
de todo o espaço faria espelho,
da galáxia faria pista de dança
para que todos os planetas dançassem
ao som de sua risada.
E subiria às alturas,
e com todo o meu ser,
com toda a minha voz,
com todo o ar de meus pulmões
e por toda a minha vida,
eu diria:
eu te amo.
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