Para Matheus Camargo
Indiferente, como um retrato, se fazia
o rosto frio, feminino, inexpressivo;
como fizesse um silêncio agressivo,
o grito de desespero não se ouvia.
E por mais alto que fosse o pranto,
nada se ouvia que não fosse quieto;
e o sorriso, por mais que fosse aberto,
nunca inspiraria a nenhum único canto.
E a chuva que caía como a noite,
não apagaria o fogo de não ser quisto,
e de receber a dor triste do açoite.
Lia-se então no olhar que vinha,
nitidamente nele se enxergava,
que amor nenhum ali se tinha.
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