terça-feira, 11 de abril de 2017

Soneto da Rejeição

Para Matheus Camargo

Indiferente, como um retrato, se fazia
o rosto frio, feminino, inexpressivo;
como fizesse um silêncio agressivo,
o grito de desespero não se ouvia.

E por mais alto que fosse o pranto,
nada se ouvia que não fosse quieto;
e o sorriso, por mais que fosse aberto,
nunca inspiraria a nenhum único canto.

E a chuva que caía como a noite,
não apagaria o fogo de não ser quisto,
e de receber a dor triste do açoite.

Lia-se então no olhar que vinha,
nitidamente nele se enxergava,
que amor nenhum ali se tinha.

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