Minha alma se senta à sombra,
à sombra se senta minha alma;
repousada sobre a grama,
sob a sombra da árvore velha,
repousa a minha alma.
Ao som do vento divagante,
folhas e galhos despencam do alto,
do alto da árvore que dá sombra,
que me dá morada sobre a grama,
voam as folhas que da grama tiram o verde,
a cobri-la de marrom.
Marrom do tronco que se entronca
e se entorta à minha frente.
O silêncio e a paz lhes é roubado
pelos pueris berros das crianças
em uníssono uniforme
e como as árvores, elas crescem
dando seus cumes ao sol.
E minha alma, ainda à sombra,
contempla o mosaico irregular
de folhas e galhos e árvores e crianças;
com pés parados e cabelos ao vento
repousa minha alma sobre a grama.
quarta-feira, 27 de setembro de 2017
segunda-feira, 25 de setembro de 2017
Folhas Secas
Nesses dias quentes e áridos,
de ar parado e sol impiedoso,
dias de São Pedro ausente,
e Airá adormecida,
dias de chuva que não cai.
Nesses dias em que as árvores definham,
em que as folhas caem fora do outono,
em que o único refúgio que se tem
é o próprio suor.
Nesses dias, à merencória lástima quente do sol,
meu pé pisoteia folhas secas.
As folhas secas se dobram e se partem,
racham num quebrar de ossos.
As folhas secas cantam suas tristezas
a serem empurradas pelo asfalto.
Quem dança pelas ruas
e recita os remorsos dos dias secos
a rodopiar pelas calçadas
são as tristes e esquecidas
folhas secas.
de ar parado e sol impiedoso,
dias de São Pedro ausente,
e Airá adormecida,
dias de chuva que não cai.
Nesses dias em que as árvores definham,
em que as folhas caem fora do outono,
em que o único refúgio que se tem
é o próprio suor.
Nesses dias, à merencória lástima quente do sol,
meu pé pisoteia folhas secas.
As folhas secas se dobram e se partem,
racham num quebrar de ossos.
As folhas secas cantam suas tristezas
a serem empurradas pelo asfalto.
Quem dança pelas ruas
e recita os remorsos dos dias secos
a rodopiar pelas calçadas
são as tristes e esquecidas
folhas secas.
quarta-feira, 20 de setembro de 2017
Mulheres
Não há muros que contenham
todo o desejo
de meu coração multifacetado.
Minha alma inconsequente
quer sentir o doce sabor
do amor de todas as mulheres
que puder amar.
Mulheres, mulheres
minhas mãos querem
tatear e dançar por todo
o relevo de seus corpos.
Meus lábios querem saborear seus beijos,
mulheres de todo o mundo
de brancas e negras,
de amarelas e índias.
Mas desejo realmente
é que vocês, mulheres,
não percam o seu tempo
a tomar conhecimento de mim.
Afinal,
não seria eu o poeta infeliz
se vocês soubessem
que eu existo.
todo o desejo
de meu coração multifacetado.
Minha alma inconsequente
quer sentir o doce sabor
do amor de todas as mulheres
que puder amar.
Mulheres, mulheres
minhas mãos querem
tatear e dançar por todo
o relevo de seus corpos.
Meus lábios querem saborear seus beijos,
mulheres de todo o mundo
de brancas e negras,
de amarelas e índias.
Mas desejo realmente
é que vocês, mulheres,
não percam o seu tempo
a tomar conhecimento de mim.
Afinal,
não seria eu o poeta infeliz
se vocês soubessem
que eu existo.
quarta-feira, 13 de setembro de 2017
Meu Testamento
A quem possa interessar:
Eis aqui meu corpo.
Se ainda estiver quente,
aguarde, deixe que esfrie.
Se já frio estiver,
que esquente e seque ao sol.
Distribua meus bens e meus órgãos,
os que ainda funcionarem;
não creme nem faça funeral,
não quero que sofra ninguém.
Triste que esteja eu morto,
seja eu velho ou novo,
mas, repare em meu rosto,
que nunca foi bonito,
veja se está contente.
E, onde quer que eu morra,
leve-me de volta à minha terra,
leve-me de volta à Curitiba.
Enterre-me ao pé de uma araucária,
e, que em minha lápide esteja escrito:
sofreu, amou
e tentou ser poeta.
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