A quem possa interessar:
Eis aqui meu corpo.
Se ainda estiver quente,
aguarde, deixe que esfrie.
Se já frio estiver,
que esquente e seque ao sol.
Distribua meus bens e meus órgãos,
os que ainda funcionarem;
não creme nem faça funeral,
não quero que sofra ninguém.
Triste que esteja eu morto,
seja eu velho ou novo,
mas, repare em meu rosto,
que nunca foi bonito,
veja se está contente.
E, onde quer que eu morra,
leve-me de volta à minha terra,
leve-me de volta à Curitiba.
Enterre-me ao pé de uma araucária,
e, que em minha lápide esteja escrito:
sofreu, amou
e tentou ser poeta.
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