Nesses dias quentes e áridos,
de ar parado e sol impiedoso,
dias de São Pedro ausente,
e Airá adormecida,
dias de chuva que não cai.
Nesses dias em que as árvores definham,
em que as folhas caem fora do outono,
em que o único refúgio que se tem
é o próprio suor.
Nesses dias, à merencória lástima quente do sol,
meu pé pisoteia folhas secas.
As folhas secas se dobram e se partem,
racham num quebrar de ossos.
As folhas secas cantam suas tristezas
a serem empurradas pelo asfalto.
Quem dança pelas ruas
e recita os remorsos dos dias secos
a rodopiar pelas calçadas
são as tristes e esquecidas
folhas secas.
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