Um improviso;
palavras me transbordam,
palavras eu escrevo.
Não sei o que escrevo.
Nem sei se escrevo.
Será que escrevo?
Por que temer?
A vida, a morte...
É tudo apenas ilusório;
são apenas pontos de vista.
Nossa cultura falida
é feita de mentiras.
Escolha alguma para seguir.
Não há paraíso, não há inferno,
não há Deus, não há Diabo,
não há vida após a morte,
mas é tão reconfortante...
Quando as estrelas desprenderem-se
do manto que as apóia,
quando o sol apagar;
ninguém estará lá.
O que farás?
Indústrias, parques,
lojas, florestas,
carros, cavalos,
prédios, montanhas
túneis, cavernas
estradas, campos.
Às ruas, pichações
a ilustrar os muros.
Não os enfeitam.
Não os embelezam.
Mas ilustram.
Falais, olhais,
ouvis, gritais,
berrais, brigais,
mas não esperais.
Há liberdade?
Não acredito que haja.
A liberdade é ilusão.
Não há liberdade;
há Síndrome do Homem Livre.
Os bêbados nas ruas,
os mendigos nas esquinas,
os advogados nos tribunais,
os executivos nos escritórios;
no fim são todos iguais.
Das janelas dos apartamentos,
os guarda-chuvas, como tinta,
formam o quadro impressionista
da vida na cidade.
As palavras vazias
que meu lápis escreve
nem sempre rimam,
e são vagas.
Para a tristeza, há remédios;
para as dores, há remédios;
para o cansaço, há remédios;
mas não há cura.
Pílulas, cigarros,
cachimbos, carreiras,
plantas, seringas.
Minha mente, desocupada;
há de ser poeta o seu ofício
há de buscar as palavras
e coordenar os dedos
que arranham a cela
da vida moderna.
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