sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Cliché

Eu sei que é, ora, tão clichê;
escrever versos sobre o amor,
rimar sobre a cor de teus olhos,
e comparar tua beleza à de uma flor.

Eu sei que o amor é um tema tão passado,
e que hoje em dia é tão antiquado
fazer do amor um tema,
e dispersá-lo num poema.

Eu sei que hoje é tão démodé
gastar tempo, derramando seu coração
sobre uma carta de amor,
ou ainda, uma canção.

Mas quem um dia dirá
que no amor não há sentido,
ou em qualquer outro sentimento?

E quem um dia dirá
que nunca, a ninguém, amou;
nem escreveu cartas de amor?

Porque, por mais que sejam:
clichês, todos os poemas de amor;
tão antiquado o sentimento do amor;
e tão estúpidas, todas as cartas de amor:

Só é realmente clichê,
antiquado e estúpido,
quem nunca um poema
ou carta de amor escreveu.

Nem nunca por amor sofreu,
nunca sorriu nem chorou,
e nunca, a ninguém, amou.

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