Para Pâmela Oliveira
Teus lábios são o sepulcro
onde minha solidão se enterra,
teus braços são o leito
que a vida, a mim, reserva.
Como em noites de angústia,
a esperança, pela estrada, a ser jogada,
eu te espero, como quem espera
o último trem da madrugada.
Quando teimosos, teus lábios, insistem em esconder-se
à quilômetros e quilômetros de distância,
a, outrora morta, solidão,
retorna seu reinado, de dor e ânsia.
Quando acabar-se, enfim, a espera
pela tua tão estimada chegada,
no teu beijo embarcarei, como quem embarca
no último trem da madrugada.
sábado, 10 de dezembro de 2016
sábado, 3 de dezembro de 2016
Escandalosa
Para Pâmela Oliveira
Não há cabelo liso que eu ame mais do que teus cachos,
não há pele branca mais bela que teu bronze,
não há lábios que eu queira beijar mais que os teus.
Não há olhos azuis mais profundos que os teus castanhos,
não há pernas que percorram mais a minha mente,
não há voz que mais me esquente o coração.
Não há remédios que me curem a saudade,
não há distância que me reduza a vontade,
não há risada quieta mais bela
que a tua,
escandalosa.
Não há cabelo liso que eu ame mais do que teus cachos,
não há pele branca mais bela que teu bronze,
não há lábios que eu queira beijar mais que os teus.
Não há olhos azuis mais profundos que os teus castanhos,
não há pernas que percorram mais a minha mente,
não há voz que mais me esquente o coração.
Não há remédios que me curem a saudade,
não há distância que me reduza a vontade,
não há risada quieta mais bela
que a tua,
escandalosa.
domingo, 27 de novembro de 2016
sexta-feira, 25 de novembro de 2016
L'Aube
A madrugada é minha, é sua;
é dos que amam,
e dos que sofrem por amor.
A madrugada é dos guardas noturnos,
é dos bêbados vagabundos,
dos escritores frustados,
dos maridos infiéis,
dos poetas,
e das prostitutas.
A madrugada é dos drogados,
é dos músicos famintos,
dos mendigos,
dos indigentes,
e dos ladrões.
A madrugada é sua,
a minha madrugada é sua,
meus poemas são seus,
eu sou seu.
A madrugada é minha;
afinal,
a madrugada é dos que amam
e dos que sofrem de amor.
é dos que amam,
e dos que sofrem por amor.
A madrugada é dos guardas noturnos,
é dos bêbados vagabundos,
dos escritores frustados,
dos maridos infiéis,
dos poetas,
e das prostitutas.
A madrugada é dos drogados,
é dos músicos famintos,
dos mendigos,
dos indigentes,
e dos ladrões.
A madrugada é sua,
a minha madrugada é sua,
meus poemas são seus,
eu sou seu.
A madrugada é minha;
afinal,
a madrugada é dos que amam
e dos que sofrem de amor.
12:37
Para Isabela Weber
Eu nunca havia percebido
o quanto eu gosto de você
até eu chorar
por sua causa.
Eu nunca havia percebido
o quanto eu gosto de você
até eu chorar
por sua causa.
Em Silêncio
As águas correntes levam-me para baixo;
a luz azul preenche meus olhos,
a água, salgada e suja,
preenche meus pulmões.
Meus dedos enrugados tentam nadar.
Meus lábios enrugados tentam gritar;
seus gritos são bolhas
que sobem à superfície
em silêncio.
a luz azul preenche meus olhos,
a água, salgada e suja,
preenche meus pulmões.
Meus dedos enrugados tentam nadar.
Meus lábios enrugados tentam gritar;
seus gritos são bolhas
que sobem à superfície
em silêncio.
Ele
Para Martha Chapieski
Espero que ele realmente te adore,
que te construa um altar,
que te faça rir,
que nunca te faça chorar.
Espero que ele te dê todas as horas de seu dia,
que te escreva poesia,
que te cante canções sobre o quanto te ama;
que não demore a responder
quando você o chama.
A solidão que sinto eu,
não espero que teus olhos vejam,
nem que teu coração sinta.
Deixa-me para morrer,
me esqueça, me esqueça!
Me deixe de lado,
não nasci para ser amado;
e sim você, minha amada.
Não é apenas tua indiferença que me corrói;
sei que teu belo coração bate por outro,
e isso dói.
Mas espero que ele te ame,
e que te faça lembrar
que o mundo é o teu palco
quando te vê passar.
Espero que ele realmente te adore,
que te construa um altar,
que te faça rir,
que nunca te faça chorar.
Espero que ele te dê todas as horas de seu dia,
que te escreva poesia,
que te cante canções sobre o quanto te ama;
que não demore a responder
quando você o chama.
A solidão que sinto eu,
não espero que teus olhos vejam,
nem que teu coração sinta.
Deixa-me para morrer,
me esqueça, me esqueça!
Me deixe de lado,
não nasci para ser amado;
e sim você, minha amada.
Não é apenas tua indiferença que me corrói;
sei que teu belo coração bate por outro,
e isso dói.
Mas espero que ele te ame,
e que te faça lembrar
que o mundo é o teu palco
quando te vê passar.
Saiba Que Estarei Mentindo
Para Martha Chapieski
Se eu disser que te amo,
dirás tu que também me amas?
Se eu esperar por ti,
esperarás também por mim?
Sei como a vida pode ser difícil,
quando se está sozinho,
quando não se tem ninguém.
Mas dê-me sua mão,
e não precisará mais estar sozinha -
nunca mais.
E sei que o que minha caneta
deixa sobre o papel
nem sempre é sincero.
Eis o mais sincero que posso ser:
se um dia eu disser
que não te amo mais,
saiba que estarei mentindo.
Se eu disser que te amo,
dirás tu que também me amas?
Se eu esperar por ti,
esperarás também por mim?
Sei como a vida pode ser difícil,
quando se está sozinho,
quando não se tem ninguém.
Mas dê-me sua mão,
e não precisará mais estar sozinha -
nunca mais.
E sei que o que minha caneta
deixa sobre o papel
nem sempre é sincero.
Eis o mais sincero que posso ser:
se um dia eu disser
que não te amo mais,
saiba que estarei mentindo.
Ce Ne Sont Pas
Ce ne sont pas mes plaisirs
que j'écris sur ce papier;
ce ne sont pas mes joies
qui font ma poésie.
Ce ne sont pas les amours
que je vois dans la vie;
ce ne sont pas mes craintes
qui volent mon sommeil.
Ce n'est pas ma solitude
qui me fait souffrir;
ce ne sont pas mes amis
qui me font sourire.
Car mes chagrins,
car mon espoir,
ils sont seulement pour moi.
Ne me dites pas d'avoir la foi,
ne me dites pas de croire -
je ne suis pas naïve.
que j'écris sur ce papier;
ce ne sont pas mes joies
qui font ma poésie.
Ce ne sont pas les amours
que je vois dans la vie;
ce ne sont pas mes craintes
qui volent mon sommeil.
Ce n'est pas ma solitude
qui me fait souffrir;
ce ne sont pas mes amis
qui me font sourire.
Car mes chagrins,
car mon espoir,
ils sont seulement pour moi.
Ne me dites pas d'avoir la foi,
ne me dites pas de croire -
je ne suis pas naïve.
De Pé
Deveria eu prosseguir com esperança
que esta caverna escura, solitária e úmida
possui alguma saída?
Devo permanecer otimista
que algum dia encontrarei alguma coisa
neste mar profundo, verde e sujo?
Sim, eu devo.
Toda caverna tem sua saída,
todo mar acaba em sua praia.
E cabe a mim, e somente a mim,
ser a luz que me guiará,
ser o navio que me salvará.
E cabe a mim, somente a mim,
manter-me em pé.
Que venha o maior desmoronamento,
que venha a maior tempestade,
que venha o que vier!
Hei de vos receber com um sorriso,
de braços abertos,
e continuarei de pé!
que esta caverna escura, solitária e úmida
possui alguma saída?
Devo permanecer otimista
que algum dia encontrarei alguma coisa
neste mar profundo, verde e sujo?
Sim, eu devo.
Toda caverna tem sua saída,
todo mar acaba em sua praia.
E cabe a mim, e somente a mim,
ser a luz que me guiará,
ser o navio que me salvará.
E cabe a mim, somente a mim,
manter-me em pé.
Que venha o maior desmoronamento,
que venha a maior tempestade,
que venha o que vier!
Hei de vos receber com um sorriso,
de braços abertos,
e continuarei de pé!
Parasita
Sou eu a chama inerte
com trejeitos de parasita;
captura-me com o olhar,
preciso de teu calor.
Me prende em teu peito,
alimenta-me com teu sangue,
fira-me com teu corpo
mata-me em teu beijo.
Deixa-me, enfim, ser,
o parasita irrelevante,
a apodrecer as carniças
de teu amor.
com trejeitos de parasita;
captura-me com o olhar,
preciso de teu calor.
Me prende em teu peito,
alimenta-me com teu sangue,
fira-me com teu corpo
mata-me em teu beijo.
Deixa-me, enfim, ser,
o parasita irrelevante,
a apodrecer as carniças
de teu amor.
A Vida Moderna
Um improviso;
palavras me transbordam,
palavras eu escrevo.
Não sei o que escrevo.
Nem sei se escrevo.
Será que escrevo?
Por que temer?
A vida, a morte...
É tudo apenas ilusório;
são apenas pontos de vista.
Nossa cultura falida
é feita de mentiras.
Escolha alguma para seguir.
Não há paraíso, não há inferno,
não há Deus, não há Diabo,
não há vida após a morte,
mas é tão reconfortante...
Quando as estrelas desprenderem-se
do manto que as apóia,
quando o sol apagar;
ninguém estará lá.
O que farás?
Indústrias, parques,
lojas, florestas,
carros, cavalos,
prédios, montanhas
túneis, cavernas
estradas, campos.
Às ruas, pichações
a ilustrar os muros.
Não os enfeitam.
Não os embelezam.
Mas ilustram.
Falais, olhais,
ouvis, gritais,
berrais, brigais,
mas não esperais.
Há liberdade?
Não acredito que haja.
A liberdade é ilusão.
Não há liberdade;
há Síndrome do Homem Livre.
Os bêbados nas ruas,
os mendigos nas esquinas,
os advogados nos tribunais,
os executivos nos escritórios;
no fim são todos iguais.
Das janelas dos apartamentos,
os guarda-chuvas, como tinta,
formam o quadro impressionista
da vida na cidade.
As palavras vazias
que meu lápis escreve
nem sempre rimam,
e são vagas.
Para a tristeza, há remédios;
para as dores, há remédios;
para o cansaço, há remédios;
mas não há cura.
Pílulas, cigarros,
cachimbos, carreiras,
plantas, seringas.
Minha mente, desocupada;
há de ser poeta o seu ofício
há de buscar as palavras
e coordenar os dedos
que arranham a cela
da vida moderna.
palavras me transbordam,
palavras eu escrevo.
Não sei o que escrevo.
Nem sei se escrevo.
Será que escrevo?
Por que temer?
A vida, a morte...
É tudo apenas ilusório;
são apenas pontos de vista.
Nossa cultura falida
é feita de mentiras.
Escolha alguma para seguir.
Não há paraíso, não há inferno,
não há Deus, não há Diabo,
não há vida após a morte,
mas é tão reconfortante...
Quando as estrelas desprenderem-se
do manto que as apóia,
quando o sol apagar;
ninguém estará lá.
O que farás?
Indústrias, parques,
lojas, florestas,
carros, cavalos,
prédios, montanhas
túneis, cavernas
estradas, campos.
Às ruas, pichações
a ilustrar os muros.
Não os enfeitam.
Não os embelezam.
Mas ilustram.
Falais, olhais,
ouvis, gritais,
berrais, brigais,
mas não esperais.
Há liberdade?
Não acredito que haja.
A liberdade é ilusão.
Não há liberdade;
há Síndrome do Homem Livre.
Os bêbados nas ruas,
os mendigos nas esquinas,
os advogados nos tribunais,
os executivos nos escritórios;
no fim são todos iguais.
Das janelas dos apartamentos,
os guarda-chuvas, como tinta,
formam o quadro impressionista
da vida na cidade.
As palavras vazias
que meu lápis escreve
nem sempre rimam,
e são vagas.
Para a tristeza, há remédios;
para as dores, há remédios;
para o cansaço, há remédios;
mas não há cura.
Pílulas, cigarros,
cachimbos, carreiras,
plantas, seringas.
Minha mente, desocupada;
há de ser poeta o seu ofício
há de buscar as palavras
e coordenar os dedos
que arranham a cela
da vida moderna.
Soneto de Amor
Para Bruna Kuskoski
Te escrevo versos preguiçosos,
que valem apenas para rimar.
Te escrevo poemas pretensiosos,
e te escrevo mais se você gostar.
Te escrevo cartas amorosas,
cheias de elogios e exageros.
Te dou das flores mais vistosas,
e dos piores exasperos.
Te canto canções bonitas
que nunca são honestas;
e tão facilmente esquecidas.
Te falo palavras belas,
palavras vagas e inexpressivas,
mas que serão, sempre, sinceras.
Te escrevo versos preguiçosos,
que valem apenas para rimar.
Te escrevo poemas pretensiosos,
e te escrevo mais se você gostar.
Te escrevo cartas amorosas,
cheias de elogios e exageros.
Te dou das flores mais vistosas,
e dos piores exasperos.
Te canto canções bonitas
que nunca são honestas;
e tão facilmente esquecidas.
Te falo palavras belas,
palavras vagas e inexpressivas,
mas que serão, sempre, sinceras.
Um Poema Otimista
Não tenhas remorso de teu tempo,
não te arrependas de teu passado;
sei que as bandeiras que outrora levantaste
já não servem mais ao mastro,
mas outras levantarás.
Teus amigos se foram,
teus amores morreram,
mas novos virão.
Tua pátria lhe esqueceu,
teu governo lhe abandonou,
mas tu não foste esquecido.
Teus cabelos já lhe caem da cabeça,
tua barba fios brancos mostra,
mas teus olhos ainda brilham.
Teus valores já nem tanto valem,
teus princípios já são antiquados,
mas a mente se renova.
Rugas já desenham em tua face,
tuas olheiras salteiam os olhos,
mas o olhar ainda é o mesmo.
Lágrimas talvez já escorram de teus olhos,
lágrimas amargas, com o gosto de tuas perdas,
mas o sangue ainda é forte.
Teus retratos já empoeirados estão,
com suas cores já desbotadas,
mas a alma nunca, nunca desbotará!
não te arrependas de teu passado;
sei que as bandeiras que outrora levantaste
já não servem mais ao mastro,
mas outras levantarás.
Teus amigos se foram,
teus amores morreram,
mas novos virão.
Tua pátria lhe esqueceu,
teu governo lhe abandonou,
mas tu não foste esquecido.
Teus cabelos já lhe caem da cabeça,
tua barba fios brancos mostra,
mas teus olhos ainda brilham.
Teus valores já nem tanto valem,
teus princípios já são antiquados,
mas a mente se renova.
Rugas já desenham em tua face,
tuas olheiras salteiam os olhos,
mas o olhar ainda é o mesmo.
Lágrimas talvez já escorram de teus olhos,
lágrimas amargas, com o gosto de tuas perdas,
mas o sangue ainda é forte.
Teus retratos já empoeirados estão,
com suas cores já desbotadas,
mas a alma nunca, nunca desbotará!
Cliché
Eu sei que é, ora, tão
clichê;
escrever versos sobre o amor,
rimar sobre a cor de teus olhos,
e comparar tua beleza à de uma flor.
Eu sei que o amor é um tema tão passado,
e que hoje em dia é tão antiquado
fazer do amor um tema,
e dispersá-lo num poema.
Eu sei que hoje é tão démodé
gastar tempo, derramando seu coração
sobre uma carta de amor,
ou ainda, uma canção.
Mas quem um dia dirá
que no amor não há sentido,
ou em qualquer outro sentimento?
E quem um dia dirá
que nunca, a ninguém, amou;
nem escreveu cartas de amor?
Porque, por mais que sejam:
clichês, todos os poemas de amor;
tão antiquado o sentimento do amor;
e tão estúpidas, todas as cartas de amor:
Só é realmente clichê,
antiquado e estúpido,
quem nunca um poema
ou carta de amor escreveu.
Nem nunca por amor sofreu,
nunca sorriu nem chorou,
e nunca, a ninguém, amou.
escrever versos sobre o amor,
rimar sobre a cor de teus olhos,
e comparar tua beleza à de uma flor.
Eu sei que o amor é um tema tão passado,
e que hoje em dia é tão antiquado
fazer do amor um tema,
e dispersá-lo num poema.
Eu sei que hoje é tão démodé
gastar tempo, derramando seu coração
sobre uma carta de amor,
ou ainda, uma canção.
Mas quem um dia dirá
que no amor não há sentido,
ou em qualquer outro sentimento?
E quem um dia dirá
que nunca, a ninguém, amou;
nem escreveu cartas de amor?
Porque, por mais que sejam:
clichês, todos os poemas de amor;
tão antiquado o sentimento do amor;
e tão estúpidas, todas as cartas de amor:
Só é realmente clichê,
antiquado e estúpido,
quem nunca um poema
ou carta de amor escreveu.
Nem nunca por amor sofreu,
nunca sorriu nem chorou,
e nunca, a ninguém, amou.
Estar Apaixonado
Estar apaixonado;
é nunca estar em paz,
mas estar tão sereno.
Estar apaixonado;
é não querer estar perto de si mesmo,
para estar perto de alguém.
Estar apaixonado;
é entregar-se de corpo e alma,
a um sentimento efêmero.
Estar apaixonado;
é deixar-se de lado,
e ouvir a cada palavra, como música.
Estar apaixonado;
é esquecer-se de si mesmo,
para lembrar-se de outro.
Estar apaixonado;
é sentir-se só entre a gente,
porque uma pessoa não está.
Estar apaixonado;
é estar em outro,
mas não estar em si.
Estar apaixonado;
é querer morrer pelo outro,
apenas por morrer.
Estar apaixonado;
é abandonar à razão,
e entregar-se à emoção.
é nunca estar em paz,
mas estar tão sereno.
Estar apaixonado;
é não querer estar perto de si mesmo,
para estar perto de alguém.
Estar apaixonado;
é entregar-se de corpo e alma,
a um sentimento efêmero.
Estar apaixonado;
é deixar-se de lado,
e ouvir a cada palavra, como música.
Estar apaixonado;
é esquecer-se de si mesmo,
para lembrar-se de outro.
Estar apaixonado;
é sentir-se só entre a gente,
porque uma pessoa não está.
Estar apaixonado;
é estar em outro,
mas não estar em si.
Estar apaixonado;
é querer morrer pelo outro,
apenas por morrer.
Estar apaixonado;
é abandonar à razão,
e entregar-se à emoção.
Deus Me Disse Antes de Morrer
Deus me disse antes de morrer:
"Vai, meu filho bastardo,
vive cada dia teu como se fosse o primeiro,
respira nervoso, à tua maneira imprudente;
esquece a ti mesmo, com tua calma inconsequente,
deixa-me constrangido de ter te criado."
Deus não mais me diz nada;
apenas as propagandas no rádio,
as lágrimas da noite escorrendo no vidro,
as pernas e os guarda-chuvas,
os faróis e os carros solitários.
Deus não mais me ouve;
ninguém me ouve, aliás,
apenas me escutam.
Ai de mim, sem fé, sem deus...
Nunca gostei de ser a vítima;
Deus sempre gostou de ser a vítima.
Vós padres e pastores,
para mim sempre fostes apenas sapos
que coaxam nas águas escuras;
que nunca soubestes que são rasas.
Vós crentes e fiéis;
para mim sempre fostes apenas ovelhas,
um rebanho que segue alegremente
às portas do matadouro.
E, enfim;
vim a ser o pai renegado,
as paredes do ventre,
que deram à luz
o filho que nunca tive.
Vim a ser a dor passageira
no coração partido
da amante que nunca tive.
E, por sorte,
de um ventre saí eu;
no pecado nasci,
no pecado morrerei.
Hei de cair um dia, enfim,
como as muralhas da terra prometida;
do pó vim,
e ao pó retornarei.
"Vai, meu filho bastardo,
vive cada dia teu como se fosse o primeiro,
respira nervoso, à tua maneira imprudente;
esquece a ti mesmo, com tua calma inconsequente,
deixa-me constrangido de ter te criado."
Deus não mais me diz nada;
apenas as propagandas no rádio,
as lágrimas da noite escorrendo no vidro,
as pernas e os guarda-chuvas,
os faróis e os carros solitários.
Deus não mais me ouve;
ninguém me ouve, aliás,
apenas me escutam.
Ai de mim, sem fé, sem deus...
Nunca gostei de ser a vítima;
Deus sempre gostou de ser a vítima.
Vós padres e pastores,
para mim sempre fostes apenas sapos
que coaxam nas águas escuras;
que nunca soubestes que são rasas.
Vós crentes e fiéis;
para mim sempre fostes apenas ovelhas,
um rebanho que segue alegremente
às portas do matadouro.
E, enfim;
vim a ser o pai renegado,
as paredes do ventre,
que deram à luz
o filho que nunca tive.
Vim a ser a dor passageira
no coração partido
da amante que nunca tive.
E, por sorte,
de um ventre saí eu;
no pecado nasci,
no pecado morrerei.
Hei de cair um dia, enfim,
como as muralhas da terra prometida;
do pó vim,
e ao pó retornarei.
Deixe-me Ser Teu
Deixe-me ser tuas botas,
e carregar teus pés.
Deixe-me ser tua cafeteira,
e servir-te o café.
Deixe-me ser teu aquecedor,
e amparar-te do frio.
Deixe-me ser teu termômetro,
quando te sentires febril.
Deixe-me ser teu aspirador,
e respirar tua poeira.
Deixe-me ser teu cão,
preso na coleira.
Deixe-me ser teu despertador,
e ver-te despertar.
Deixe-me ser teu pincel,
e teu rosto maquiar.
Deixe-me ser teu terço,
com que dormes sobre o peito.
Deixe-me ser teu cobertor,
e cobrir-te ao leito.
Deixe-me ser teu pente,
e percorrer teu cabelo.
Deixa-me ser o anel de cristal,
que tratas com zelo.
Deixe-me ser teu sol,
e secar tuas roupas ao varal.
Deixe-me ser a cura,
para a tua doença mortal.
Deixe-me ser teu guarda-chuva,
e por ti me molhar.
Deixa-me ser a tua mesa,
e servir-te o jantar.
Deixe-me ser tua toalha,
e percorrer teu corpo.
Deixe-me ser teu escudo,
e por ti ser morto.
e carregar teus pés.
Deixe-me ser tua cafeteira,
e servir-te o café.
Deixe-me ser teu aquecedor,
e amparar-te do frio.
Deixe-me ser teu termômetro,
quando te sentires febril.
Deixe-me ser teu aspirador,
e respirar tua poeira.
Deixe-me ser teu cão,
preso na coleira.
Deixe-me ser teu despertador,
e ver-te despertar.
Deixe-me ser teu pincel,
e teu rosto maquiar.
Deixe-me ser teu terço,
com que dormes sobre o peito.
Deixe-me ser teu cobertor,
e cobrir-te ao leito.
Deixe-me ser teu pente,
e percorrer teu cabelo.
Deixa-me ser o anel de cristal,
que tratas com zelo.
Deixe-me ser teu sol,
e secar tuas roupas ao varal.
Deixe-me ser a cura,
para a tua doença mortal.
Deixe-me ser teu guarda-chuva,
e por ti me molhar.
Deixa-me ser a tua mesa,
e servir-te o jantar.
Deixe-me ser tua toalha,
e percorrer teu corpo.
Deixe-me ser teu escudo,
e por ti ser morto.
Para a Garota Cujo Nome Eu Não Sei
Sou eu quem sou covarde demais
para perguntar o teu nome,
ou você quem é cega o bastante
para não perceber o quanto eu quero perguntar?
para perguntar o teu nome,
ou você quem é cega o bastante
para não perceber o quanto eu quero perguntar?
Esperança
Eu sou um moinho decadente,
esperando eternamente,
pelo vento da mudança.
Mesmo eu sendo o enforcado,
pela corda do carrasco,
nunca perderei a esperança!
esperando eternamente,
pelo vento da mudança.
Mesmo eu sendo o enforcado,
pela corda do carrasco,
nunca perderei a esperança!
Ao Passo da Vida
Mudam-se os tempos,
mudam-se os ventos,
mudam-se os caminhos,
retiram-se os espinhos,
inovam-se os inventos.
Mudam-se os temores,
reescrevem-se os amores,
reformam-se as religiões,
reescrevem-se as canções,
curam-se as dores.
Muda-se o pensar,
muda-se o amar,
passam-se os verões,
mudam-se as gerações,
renova-se o ar.
Muda-se a vida,
reencontra-se a esperança perdida,
realizam-se os planos,
passam-se os anos,
levanta-se a felicidade caída.
Partem-se os corações,
chovem as monções,
nascem as crianças,
dançam-se as danças,
trovejam-se os trovões.
Escrevem-se as histórias,
revivem-se as memórias,
batem-se as asas,
queimam-se as brasas,
crescem as rosas.
Retorna a emoção,
relembra-se a paixão,
constroem-se os lares,
brilham-se os olhares,
carrega-se o caixão.
Desabrocham as flores,
perdem-se os amores,
desfaz-se a plenitude,
envelhece a juventude,
superam-se os temores.
Desmentem-se as verdades,
mudam-se as vontades,
vestem-se os fardos,
secam-se os lagos,
envelhecem as novidades.
Esfria-se o coração,
enfraquece a respiração,
acaba-se a sorte,
aproxima-se a morte,
enterra-se o caixão.
mudam-se os ventos,
mudam-se os caminhos,
retiram-se os espinhos,
inovam-se os inventos.
Mudam-se os temores,
reescrevem-se os amores,
reformam-se as religiões,
reescrevem-se as canções,
curam-se as dores.
Muda-se o pensar,
muda-se o amar,
passam-se os verões,
mudam-se as gerações,
renova-se o ar.
Muda-se a vida,
reencontra-se a esperança perdida,
realizam-se os planos,
passam-se os anos,
levanta-se a felicidade caída.
Partem-se os corações,
chovem as monções,
nascem as crianças,
dançam-se as danças,
trovejam-se os trovões.
Escrevem-se as histórias,
revivem-se as memórias,
batem-se as asas,
queimam-se as brasas,
crescem as rosas.
Retorna a emoção,
relembra-se a paixão,
constroem-se os lares,
brilham-se os olhares,
carrega-se o caixão.
Desabrocham as flores,
perdem-se os amores,
desfaz-se a plenitude,
envelhece a juventude,
superam-se os temores.
Desmentem-se as verdades,
mudam-se as vontades,
vestem-se os fardos,
secam-se os lagos,
envelhecem as novidades.
Esfria-se o coração,
enfraquece a respiração,
acaba-se a sorte,
aproxima-se a morte,
enterra-se o caixão.
Fim de Tarde
Para Victoria Incot
Me despedi de você
naquele fim de tarde frio;
de teu olhar tão vazio,
e teu beijo pude ter.
Tuas mãos as minhas seguravam,
por toda a escuridão daquele dia,
minha juventude florescia,
e teus lábios me desbravavam.
Me despedi com um beijo teu;
te guardei com todo meu rancor,
e você logo me esqueceu.
Mas sem querer, me fez o favor:
pois foi naquela fria tarde
que descobri o amor.
Me despedi de você
naquele fim de tarde frio;
de teu olhar tão vazio,
e teu beijo pude ter.
Tuas mãos as minhas seguravam,
por toda a escuridão daquele dia,
minha juventude florescia,
e teus lábios me desbravavam.
Me despedi com um beijo teu;
te guardei com todo meu rancor,
e você logo me esqueceu.
Mas sem querer, me fez o favor:
pois foi naquela fria tarde
que descobri o amor.
A Meu Futuro Amor
Se algo, que seja, viste em mim,
se decidiste te juntar ao desastre que sou eu,
e se sinceramente me amas;
saibas que amo também a ti,
tens meu coração para chamar de teu.
Muito, de ti, hoje não exijo,
nem no futuro exigirei.
Somente tua sinceridade,
e, se possível, lealdade,
e sem hesitar, amar-te-ei.
Que me aceites como sou,
que me ames como nunca amou.
Deves já saber que facilmente me apego -
por amor sou visivelmente cego -
que sejas tu, então, a barreira do abismo.
Mal teu nome ou teu sexo sei,
tampouco tua aparência,
ou teu ser, que tanto amarei.
Só sei que lhe amarei:
até o fim de meus dias, e além.
Quando meu coração parar;
sei que quero morrer em teus braços.
Quando o mundo me pesar;
sei que quero chorar em teu ombro.
Sei que terei a ti para amar.
Sei que não me abandonarás,
assim como eu não te abandonarei.
E mesmo antes de lhe conhecer,
garanto que meu amor não irá perecer,
amarei-te como nunca antes amei.
O tempo eu não quero apressar;
mas desejo de imediato lhe conhecer,
quero cada dia a mais que eu puder ter
para passá-lo com você,
porque eu te amo.
Te amo o quanto for possível amar;
isso já antes de lhe conhecer.
Por ti espero com todo meu querer,
e teu amor nunca tratarei com desdém;
pois te amarei até o fim de meus dias;
e além.
se decidiste te juntar ao desastre que sou eu,
e se sinceramente me amas;
saibas que amo também a ti,
tens meu coração para chamar de teu.
Muito, de ti, hoje não exijo,
nem no futuro exigirei.
Somente tua sinceridade,
e, se possível, lealdade,
e sem hesitar, amar-te-ei.
Que me aceites como sou,
que me ames como nunca amou.
Deves já saber que facilmente me apego -
por amor sou visivelmente cego -
que sejas tu, então, a barreira do abismo.
Mal teu nome ou teu sexo sei,
tampouco tua aparência,
ou teu ser, que tanto amarei.
Só sei que lhe amarei:
até o fim de meus dias, e além.
Quando meu coração parar;
sei que quero morrer em teus braços.
Quando o mundo me pesar;
sei que quero chorar em teu ombro.
Sei que terei a ti para amar.
Sei que não me abandonarás,
assim como eu não te abandonarei.
E mesmo antes de lhe conhecer,
garanto que meu amor não irá perecer,
amarei-te como nunca antes amei.
O tempo eu não quero apressar;
mas desejo de imediato lhe conhecer,
quero cada dia a mais que eu puder ter
para passá-lo com você,
porque eu te amo.
Te amo o quanto for possível amar;
isso já antes de lhe conhecer.
Por ti espero com todo meu querer,
e teu amor nunca tratarei com desdém;
pois te amarei até o fim de meus dias;
e além.
O Tempo
O maestro que rege a orquestra da vida,
o senhor que rege a direção dos ventos,
o escritor dos contos do acaso,
o tempo:
É um tecido que tece a si mesmo,
uma estrada fragmentada -
sem sentido ou direção -
faz o caos à sua vontade,
não tem misericórdia ou piedade;
carrega os anos na palma da mão.
De abraços vive com a morte,
de braços dados com o destino,
e amor e ódio com a sorte.
É o tempo;
navio que navega sem direção -
move-se apenas para frente.
Mas quem sabe dizer
para onde vai o tempo
é, somente,
o tempo.
O tempo lava as ossadas
dos que nele se afogaram,
dos que nele pararam,
dos que se recusaram a mexer.
É um mar de constância;
as correntes, compostas de mudança.
O tempo é um livro que escreve a si mesmo,
um filme que dirige a si mesmo.
É uma história finita;
cujo fim nunca poderá ser escrito;
a eterna consciência do perigo,
o único caminho a se seguir.
A consciência inflingente
de uma morte eminente
e do que ainda está por vir.
o senhor que rege a direção dos ventos,
o escritor dos contos do acaso,
o tempo:
É um tecido que tece a si mesmo,
uma estrada fragmentada -
sem sentido ou direção -
faz o caos à sua vontade,
não tem misericórdia ou piedade;
carrega os anos na palma da mão.
De abraços vive com a morte,
de braços dados com o destino,
e amor e ódio com a sorte.
É o tempo;
navio que navega sem direção -
move-se apenas para frente.
Mas quem sabe dizer
para onde vai o tempo
é, somente,
o tempo.
O tempo lava as ossadas
dos que nele se afogaram,
dos que nele pararam,
dos que se recusaram a mexer.
É um mar de constância;
as correntes, compostas de mudança.
O tempo é um livro que escreve a si mesmo,
um filme que dirige a si mesmo.
É uma história finita;
cujo fim nunca poderá ser escrito;
a eterna consciência do perigo,
o único caminho a se seguir.
A consciência inflingente
de uma morte eminente
e do que ainda está por vir.
O Agora
Beija-me, domina-me,
me abrace com rudeza,
possua-me!
Leva-me ao calor de teu seio,
cures meu anseio,
deixa teu amor levar-me ao coma.
Encosta teu corpo ao meu,
e deixes que a chuva caia,
e permita-me perder de vista minhas mãos
por entre teus cabelos negros como a noite;
que haja entre nós apenas o suor.
Deleita-me em teus lábios de mel,
que nos cubra a noite como véu,
fiques comigo;
deita-te ao meu lado,
deixa que o medo que lhe assola
perca-se noite afora.
Até que haja apenas nós,
apenas o frio que bate a porta,
o calor que exalta de teu abraço
e o agora.
Esqueças o tempo;
por teu amor eu clamo;
então beija-me, domina-me,
e lembra-me porque te amo.
me abrace com rudeza,
possua-me!
Leva-me ao calor de teu seio,
cures meu anseio,
deixa teu amor levar-me ao coma.
Encosta teu corpo ao meu,
e deixes que a chuva caia,
e permita-me perder de vista minhas mãos
por entre teus cabelos negros como a noite;
que haja entre nós apenas o suor.
Deleita-me em teus lábios de mel,
que nos cubra a noite como véu,
fiques comigo;
deita-te ao meu lado,
deixa que o medo que lhe assola
perca-se noite afora.
Até que haja apenas nós,
apenas o frio que bate a porta,
o calor que exalta de teu abraço
e o agora.
Esqueças o tempo;
por teu amor eu clamo;
então beija-me, domina-me,
e lembra-me porque te amo.
És Tão Simples Nua
Quando as antes verdes folhas
põe-se a avermelhar,
e quando caírem dos galhos.
Quando as antes brancas nuvens
se acinzentarem,
e a chuva pôr-se a cair.
Quando nus, teus braços,
segurarem ninguém além de ti,
quando estiveres nua e com frio
sozinha em tuas próprias mãos.
Ainda que estejas tão só,
estarás no calor de meu abraço.
Disperses teu cansaço,
a correnteza do tempo levará teu passado.
Mas deites, meu amor;
fecha teus olhos,
descansa teu corpo,
ao dispor da imensa beleza tua.
E dorme, meu amor;
és tão simples, nua.
põe-se a avermelhar,
e quando caírem dos galhos.
Quando as antes brancas nuvens
se acinzentarem,
e a chuva pôr-se a cair.
Quando nus, teus braços,
segurarem ninguém além de ti,
quando estiveres nua e com frio
sozinha em tuas próprias mãos.
Ainda que estejas tão só,
estarás no calor de meu abraço.
Disperses teu cansaço,
a correnteza do tempo levará teu passado.
Mas deites, meu amor;
fecha teus olhos,
descansa teu corpo,
ao dispor da imensa beleza tua.
E dorme, meu amor;
és tão simples, nua.
Os Tempos Estão Mudando
Vinde, ó filhos da terra,
esquecei vossos deuses,
deixai vossas crenças,
e dai-vos as mãos -
cantais ao luar!
Vinde, ó filhos da guerra;
Ouvirdes as bombas?
Virdes o sangue?
Sentirdes o temor?
Cairdes ao terror?
Então vindes, ó filhos do medo,
rogai a vosso deus -
que de nada adiantará!
Mas vivei em paz!
Abraçai vossos irmãos -
vindes brancos e negros;
judeus e cristãos;
mostrai do que sois capaz;
aos estranhos e normais.
Defendei a paz;
vós pecadores e homossexuais.
Vinde, ó filhos do pranto,
abandonai vosso espanto,
e vinde cantando:
pois os tempos estão mudando!
esquecei vossos deuses,
deixai vossas crenças,
e dai-vos as mãos -
cantais ao luar!
Vinde, ó filhos da guerra;
Ouvirdes as bombas?
Virdes o sangue?
Sentirdes o temor?
Cairdes ao terror?
Então vindes, ó filhos do medo,
rogai a vosso deus -
que de nada adiantará!
Mas vivei em paz!
Abraçai vossos irmãos -
vindes brancos e negros;
judeus e cristãos;
mostrai do que sois capaz;
aos estranhos e normais.
Defendei a paz;
vós pecadores e homossexuais.
Vinde, ó filhos do pranto,
abandonai vosso espanto,
e vinde cantando:
pois os tempos estão mudando!
Como Quer Eros a Tanatos
E meu amor queima como um cigarro;
destruído é por avareza;
e regozijo-me em tristeza -
uma amarga lágrima se queima -
como sangue que torna ao barro.
Um abraço de solidão,
como um velho amigo -
um anjo caído -
em rota de colisão.
Mas por ti quero ser ferido;
quero morrer de amor contigo!
Pois a deusa que és para mim;
ó, amada, sejas meu fim!
Meu querer me leva ao pranto:
como quer Eros a Tanatos;
como quer o céu a lua;
como quer o solo a chuva;
é como quer minha alma a tua!
destruído é por avareza;
e regozijo-me em tristeza -
uma amarga lágrima se queima -
como sangue que torna ao barro.
Um abraço de solidão,
como um velho amigo -
um anjo caído -
em rota de colisão.
Mas por ti quero ser ferido;
quero morrer de amor contigo!
Pois a deusa que és para mim;
ó, amada, sejas meu fim!
Meu querer me leva ao pranto:
como quer Eros a Tanatos;
como quer o céu a lua;
como quer o solo a chuva;
é como quer minha alma a tua!
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