Gostaria de te olhar nos olhos
e te dizer
que eu queria nunca ter te conhecido,
mas você me interromperia para perguntar:
"Quem é você, mesmo?"
quinta-feira, 21 de dezembro de 2017
terça-feira, 19 de dezembro de 2017
Teus Lábios
Teus lábios são o vasto oceano
que ainda quero navegar,
são o continente inexplorado
que ainda quero desbravar.
São um mundo vasto
que ainda quero conhecer,
são minha terra prometida
que ainda quero proteger.
São os mistérios do universo
que ainda quero desvendar,
sãos os picos mais altos
que ainda quero escalar.
São a poesia mais perfeita
que ainda quero poder ler,
são do veneno mais potente
que me faria facilmente morrer.
que ainda quero navegar,
são o continente inexplorado
que ainda quero desbravar.
São um mundo vasto
que ainda quero conhecer,
são minha terra prometida
que ainda quero proteger.
São os mistérios do universo
que ainda quero desvendar,
sãos os picos mais altos
que ainda quero escalar.
São a poesia mais perfeita
que ainda quero poder ler,
são do veneno mais potente
que me faria facilmente morrer.
segunda-feira, 11 de dezembro de 2017
O Passarinho e a Mariposa
Passarinho bicou a mariposa,
mariposa tentou voar,
passarinho bicou de novo.
Mariposa desesperou-se,
suplicou por piedade,
passarinho não concedeu.
Mariposa tentou voar,
passarinho fechou o bico.
Passarinho voou-se embora,
de mariposa na boca.
Talvez passarinho tenha prole
para alimentar,
talvez apenas goste
do sabor de mariposa.
A mariposa agora é morta,
passarinho a devorou.
Passarinho encheu o papo,
a sua moela triturou a mariposa
que, eventualmente,
sairá pela cloaca.
Que Deus tenha piedade
da pobre mariposa
que cumpriu seu papel
na cadeia alimentar.
O passarinho será poupado,
ele não pode ser culpado.
Afinal,
ele está apenas sendo passarinho.
Deus criou-lhe assim.
mariposa tentou voar,
passarinho bicou de novo.
Mariposa desesperou-se,
suplicou por piedade,
passarinho não concedeu.
Mariposa tentou voar,
passarinho fechou o bico.
Passarinho voou-se embora,
de mariposa na boca.
Talvez passarinho tenha prole
para alimentar,
talvez apenas goste
do sabor de mariposa.
A mariposa agora é morta,
passarinho a devorou.
Passarinho encheu o papo,
a sua moela triturou a mariposa
que, eventualmente,
sairá pela cloaca.
Que Deus tenha piedade
da pobre mariposa
que cumpriu seu papel
na cadeia alimentar.
O passarinho será poupado,
ele não pode ser culpado.
Afinal,
ele está apenas sendo passarinho.
Deus criou-lhe assim.
terça-feira, 7 de novembro de 2017
Sequer
Sua mãe diz: "engole o choro",
seu pai, se fosse vivo, diria que é frescura,
seu irmão diz que é fase,
sua irmã nem te vê chorar.
Sua avó diz que é falta de ir à igreja,
seus tios te chamam de viado,
suas tias perguntam sobre as namoradas,
sua namorada sequer existe.
A televisão tenta te moldar,
você sequer assiste.
O rádio te vende sertanejo
e pop americano,
você sequer escuta.
O colégio quer te passar no vestibular,
você sequer estuda.
A internet quer que você escolha
entre esquerda e direita,
você sequer se importa.
Sua família quer te fazer cristão,
seu grupo quer te fazer ateu,
você sequer sabe em que acreditar.
O capitalismo quer te fazer comprador,
o mercado quer sua mão de obra,
o governo quer seu voto e seu dinheiro,
e você queria apenas
não ser tão sozinho.
segunda-feira, 30 de outubro de 2017
Olhos Tortos
Onde andam agora seus pés
que outrora pisavam nas mesmas poças
que encharcam os meus?
Salões europeus, os passos teus
encantam aos moços e invejam às moças.
Teus pés sequer ainda andam?
Sequer sabem que ainda chamam
quem passar, quem passou
e quem não passa mais,
a tanto tempo atrás
e nem se lembra mais
da alma que roubou.
Que venha a mim então
teus olhos tortos,
teus amores mortos,
e irei com prazer perdê-los
deixá-los e esquecê-los
no meio da multidão.
Meu amor, que seja breve,
minha vida toda, por onde esteve
por onde vai andar
e onde, o resto dela, irá passar?
que outrora pisavam nas mesmas poças
que encharcam os meus?
Salões europeus, os passos teus
encantam aos moços e invejam às moças.
Teus pés sequer ainda andam?
Sequer sabem que ainda chamam
quem passar, quem passou
e quem não passa mais,
a tanto tempo atrás
e nem se lembra mais
da alma que roubou.
Que venha a mim então
teus olhos tortos,
teus amores mortos,
e irei com prazer perdê-los
deixá-los e esquecê-los
no meio da multidão.
Meu amor, que seja breve,
minha vida toda, por onde esteve
por onde vai andar
e onde, o resto dela, irá passar?
quinta-feira, 26 de outubro de 2017
Para Meu Pai
Pai,
odeio ouvir-te falar sobre política,
praguejar sobre qualquer religião que não seja a tua,
diminuir e desdenhar outras culturas
e não entender nada do que digo.
Pai,
sei que você merece
mais do que esta poesia torta;
amo-lhe mesmo que seja
um tapado, conservador intolerante,
e rogo-lhe perdão por ter sido
o fruto podre de tua horta.
odeio ouvir-te falar sobre política,
praguejar sobre qualquer religião que não seja a tua,
diminuir e desdenhar outras culturas
e não entender nada do que digo.
Pai,
sei que você merece
mais do que esta poesia torta;
amo-lhe mesmo que seja
um tapado, conservador intolerante,
e rogo-lhe perdão por ter sido
o fruto podre de tua horta.
segunda-feira, 16 de outubro de 2017
Pétala
Para Pâmela Oliveira
Você, pétala mais delicada
da flor da vida;
me disponho a ser teu jardineiro
e podar as ervas parasitas
que aglomerarem-se à tua sombra.
Do mar em que pesco e me aventuro
você é a rainha que reina sobre as ondas,
que rege as marés
e me deixa desfrutar
das maravilhas de suas águas;
sou minha oferenda para você,
minha Iemanjá.
Minha mulata, minha morena,
minha nega, minha amada;
desculpe-me por não conseguir
superar amores passados,
por não saber resistir
aos encantos de qualquer Maria,
e que Deus lhe perdoe
por dar seu coração
a quem não o merece.
Você, pétala mais delicada
da flor da vida;
me disponho a ser teu jardineiro
e podar as ervas parasitas
que aglomerarem-se à tua sombra.
Do mar em que pesco e me aventuro
você é a rainha que reina sobre as ondas,
que rege as marés
e me deixa desfrutar
das maravilhas de suas águas;
sou minha oferenda para você,
minha Iemanjá.
Minha mulata, minha morena,
minha nega, minha amada;
desculpe-me por não conseguir
superar amores passados,
por não saber resistir
aos encantos de qualquer Maria,
e que Deus lhe perdoe
por dar seu coração
a quem não o merece.
quarta-feira, 11 de outubro de 2017
Hidra
Perdoa meu olhar que não consegue
sair de você
e eu perdoo o teu olhar
por me roubar o sono
à noite toda.
Teu rosto e teu corpo
são paisagem do Oriente
e desafia aos meus tristes
olhos europeus
a decifrá-los.
Teus lábios pouco expressivos
não cobiçam os meus
que só fazem te cobiçar.
Minha cobiça sussurra
onde termina teu cabelo,
mas você nunca nem
dignaria-se a ouvir.
Eu talvez não seja mais que uma abelha
atraída pelo pólen
do teu cabelo cor de mel.
E meu voo você derruba
com tua voz cantora,
com tuas mãos que fazem vibrar
as cordas que me enforcam.
Se eu fosse diferente, quem sabe,
você me enxergaria.
Quem sabe, fosse eu mulher
fosse menina, moça, guria,
ganharia atenção das tuas pupilas
por trás das tuas lentes.
Quem dera eu pudesse
fazer-me ser notado;
à sombra das cores do teu cabelo
minha alma enferma
descontenta-se em ser amada.
sair de você
e eu perdoo o teu olhar
por me roubar o sono
à noite toda.
Teu rosto e teu corpo
são paisagem do Oriente
e desafia aos meus tristes
olhos europeus
a decifrá-los.
Teus lábios pouco expressivos
não cobiçam os meus
que só fazem te cobiçar.
Minha cobiça sussurra
onde termina teu cabelo,
mas você nunca nem
dignaria-se a ouvir.
Eu talvez não seja mais que uma abelha
atraída pelo pólen
do teu cabelo cor de mel.
E meu voo você derruba
com tua voz cantora,
com tuas mãos que fazem vibrar
as cordas que me enforcam.
Se eu fosse diferente, quem sabe,
você me enxergaria.
Quem sabe, fosse eu mulher
fosse menina, moça, guria,
ganharia atenção das tuas pupilas
por trás das tuas lentes.
Quem dera eu pudesse
fazer-me ser notado;
à sombra das cores do teu cabelo
minha alma enferma
descontenta-se em ser amada.
quarta-feira, 27 de setembro de 2017
À Sombra
Minha alma se senta à sombra,
à sombra se senta minha alma;
repousada sobre a grama,
sob a sombra da árvore velha,
repousa a minha alma.
Ao som do vento divagante,
folhas e galhos despencam do alto,
do alto da árvore que dá sombra,
que me dá morada sobre a grama,
voam as folhas que da grama tiram o verde,
a cobri-la de marrom.
Marrom do tronco que se entronca
e se entorta à minha frente.
O silêncio e a paz lhes é roubado
pelos pueris berros das crianças
em uníssono uniforme
e como as árvores, elas crescem
dando seus cumes ao sol.
E minha alma, ainda à sombra,
contempla o mosaico irregular
de folhas e galhos e árvores e crianças;
com pés parados e cabelos ao vento
repousa minha alma sobre a grama.
à sombra se senta minha alma;
repousada sobre a grama,
sob a sombra da árvore velha,
repousa a minha alma.
Ao som do vento divagante,
folhas e galhos despencam do alto,
do alto da árvore que dá sombra,
que me dá morada sobre a grama,
voam as folhas que da grama tiram o verde,
a cobri-la de marrom.
Marrom do tronco que se entronca
e se entorta à minha frente.
O silêncio e a paz lhes é roubado
pelos pueris berros das crianças
em uníssono uniforme
e como as árvores, elas crescem
dando seus cumes ao sol.
E minha alma, ainda à sombra,
contempla o mosaico irregular
de folhas e galhos e árvores e crianças;
com pés parados e cabelos ao vento
repousa minha alma sobre a grama.
segunda-feira, 25 de setembro de 2017
Folhas Secas
Nesses dias quentes e áridos,
de ar parado e sol impiedoso,
dias de São Pedro ausente,
e Airá adormecida,
dias de chuva que não cai.
Nesses dias em que as árvores definham,
em que as folhas caem fora do outono,
em que o único refúgio que se tem
é o próprio suor.
Nesses dias, à merencória lástima quente do sol,
meu pé pisoteia folhas secas.
As folhas secas se dobram e se partem,
racham num quebrar de ossos.
As folhas secas cantam suas tristezas
a serem empurradas pelo asfalto.
Quem dança pelas ruas
e recita os remorsos dos dias secos
a rodopiar pelas calçadas
são as tristes e esquecidas
folhas secas.
de ar parado e sol impiedoso,
dias de São Pedro ausente,
e Airá adormecida,
dias de chuva que não cai.
Nesses dias em que as árvores definham,
em que as folhas caem fora do outono,
em que o único refúgio que se tem
é o próprio suor.
Nesses dias, à merencória lástima quente do sol,
meu pé pisoteia folhas secas.
As folhas secas se dobram e se partem,
racham num quebrar de ossos.
As folhas secas cantam suas tristezas
a serem empurradas pelo asfalto.
Quem dança pelas ruas
e recita os remorsos dos dias secos
a rodopiar pelas calçadas
são as tristes e esquecidas
folhas secas.
quarta-feira, 20 de setembro de 2017
Mulheres
Não há muros que contenham
todo o desejo
de meu coração multifacetado.
Minha alma inconsequente
quer sentir o doce sabor
do amor de todas as mulheres
que puder amar.
Mulheres, mulheres
minhas mãos querem
tatear e dançar por todo
o relevo de seus corpos.
Meus lábios querem saborear seus beijos,
mulheres de todo o mundo
de brancas e negras,
de amarelas e índias.
Mas desejo realmente
é que vocês, mulheres,
não percam o seu tempo
a tomar conhecimento de mim.
Afinal,
não seria eu o poeta infeliz
se vocês soubessem
que eu existo.
todo o desejo
de meu coração multifacetado.
Minha alma inconsequente
quer sentir o doce sabor
do amor de todas as mulheres
que puder amar.
Mulheres, mulheres
minhas mãos querem
tatear e dançar por todo
o relevo de seus corpos.
Meus lábios querem saborear seus beijos,
mulheres de todo o mundo
de brancas e negras,
de amarelas e índias.
Mas desejo realmente
é que vocês, mulheres,
não percam o seu tempo
a tomar conhecimento de mim.
Afinal,
não seria eu o poeta infeliz
se vocês soubessem
que eu existo.
quarta-feira, 13 de setembro de 2017
Meu Testamento
A quem possa interessar:
Eis aqui meu corpo.
Se ainda estiver quente,
aguarde, deixe que esfrie.
Se já frio estiver,
que esquente e seque ao sol.
Distribua meus bens e meus órgãos,
os que ainda funcionarem;
não creme nem faça funeral,
não quero que sofra ninguém.
Triste que esteja eu morto,
seja eu velho ou novo,
mas, repare em meu rosto,
que nunca foi bonito,
veja se está contente.
E, onde quer que eu morra,
leve-me de volta à minha terra,
leve-me de volta à Curitiba.
Enterre-me ao pé de uma araucária,
e, que em minha lápide esteja escrito:
sofreu, amou
e tentou ser poeta.
quinta-feira, 10 de agosto de 2017
Te Amar
Para Pâmela Oliveira
Te amar independe de distância,
uma vez que a corrente
que me prende ao teu peito
esticaria-se até os confins do universo
sem se romper.
Em te amar, eu me contento
a não ser mais que o travesseiro
que te apalpa os pensamentos
e te faz sorrir inconsciente
enquanto dorme.
Seria feliz em te dar beijos etílicos
com sabor de vinho branco
sendo a taça em que o toma,
cantar-te meus versos ébrios
a que o mundo todo ouça
teu cálice de vidro a brindar por mais vinho.
Te amar independe de razão,
é tão natural quanto o desejo,
é tão humano quanto a inveja,
e tão poético quanto não saber os limites
do próprio amor.
Te amar independe de distância,
uma vez que a corrente
que me prende ao teu peito
esticaria-se até os confins do universo
sem se romper.
Em te amar, eu me contento
a não ser mais que o travesseiro
que te apalpa os pensamentos
e te faz sorrir inconsciente
enquanto dorme.
Seria feliz em te dar beijos etílicos
com sabor de vinho branco
sendo a taça em que o toma,
cantar-te meus versos ébrios
a que o mundo todo ouça
teu cálice de vidro a brindar por mais vinho.
Te amar independe de razão,
é tão natural quanto o desejo,
é tão humano quanto a inveja,
e tão poético quanto não saber os limites
do próprio amor.
quarta-feira, 26 de julho de 2017
Da Fome Carnal
Como gostaria
de te arrancar as vestimentas
o laço dos cabelos negros
apalpar-te os seios
morder-te as curvas
e beijar-te as faces.
E não poupar um centímetro de teu corpo
do aperto forte de minha mão
e meticulosamente dedilhar-te
como se dedilha um violão.
Tirar o sorriso de tua boca com um beijo
de teu pescoço à tua bunda
com a selvageria
que o homem branco desconhece.
Delicadamente beliscar-te os mamilos
demonstrar todo o meu desejo
até evaporar-te o suor.
Beber de tua fome carnal
e saciar a minha chama
até que ela se apague
num incêndio incontrolável
em minha cama.
de te arrancar as vestimentas
o laço dos cabelos negros
apalpar-te os seios
morder-te as curvas
e beijar-te as faces.
E não poupar um centímetro de teu corpo
do aperto forte de minha mão
e meticulosamente dedilhar-te
como se dedilha um violão.
Tirar o sorriso de tua boca com um beijo
de teu pescoço à tua bunda
com a selvageria
que o homem branco desconhece.
Delicadamente beliscar-te os mamilos
demonstrar todo o meu desejo
até evaporar-te o suor.
Beber de tua fome carnal
e saciar a minha chama
até que ela se apague
num incêndio incontrolável
em minha cama.
segunda-feira, 26 de junho de 2017
Bêbado
(Inspirado no poema inacabado de Pâmela Oliveira)
Desfrutando, cria e imagina
seus versos de fundo de copo de conhaque
e os recita o bêbado
à escada, balbucia alguma coisa
caindo.
E conversando com seu amigo
(ou seria sua amiga?)
vê a tudo e a todos e ao mundo
girando.
Desfrutando de sua bebedeira
pergunta a seu copo e espera uma resposta
o bêbado de gravata
sem paletó
o bêbado caindo
e girando.
Desfrutando, cria e imagina
seus versos de fundo de copo de conhaque
e os recita o bêbado
à escada, balbucia alguma coisa
caindo.
E conversando com seu amigo
(ou seria sua amiga?)
vê a tudo e a todos e ao mundo
girando.
Desfrutando de sua bebedeira
pergunta a seu copo e espera uma resposta
o bêbado de gravata
sem paletó
o bêbado caindo
e girando.
terça-feira, 20 de junho de 2017
Equinócio
Sol nasce
você vem
o sol se põe
você vai
cheiro de primavera
cabelos de outono
olhos negros como água
olhos claros como a noite.
Você vem
o sol nasce
você vai
o sol se põe.
Brota das várzeas
e dos bosques
se lança para fora da terra
às vezes sorri
às vezes não.
Floresce, chove,
fenece e murcha
e às vezes volta a florescer.
Galhos secos
folhas secas
pinhas secas
você vem
e os galhos se quebram.
Seu sorriso
que nasce sorrindo
é flor de laranjeira
é gorjear dos pássaros
é pinha de araucária.
E brinca de equilibrista
nas trepadeiras e nas vinhas.
É Iemanjá
é jacarandá
ipê e roseira
eu sou o fungo parasita
eu sou o baobá
que cresce sozinho
no meio da savana.
Você vem
meu tronco arria-se
você vai
minhas folhas caem.
Você vem
primavera começa
você vai
outono termina.
você vem
o sol se põe
você vai
cheiro de primavera
cabelos de outono
olhos negros como água
olhos claros como a noite.
Você vem
o sol nasce
você vai
o sol se põe.
Brota das várzeas
e dos bosques
se lança para fora da terra
às vezes sorri
às vezes não.
Floresce, chove,
fenece e murcha
e às vezes volta a florescer.
Galhos secos
folhas secas
pinhas secas
você vem
e os galhos se quebram.
Seu sorriso
que nasce sorrindo
é flor de laranjeira
é gorjear dos pássaros
é pinha de araucária.
E brinca de equilibrista
nas trepadeiras e nas vinhas.
É Iemanjá
é jacarandá
ipê e roseira
eu sou o fungo parasita
eu sou o baobá
que cresce sozinho
no meio da savana.
Você vem
meu tronco arria-se
você vai
minhas folhas caem.
Você vem
primavera começa
você vai
outono termina.
segunda-feira, 12 de junho de 2017
De Que Vale Ter Coração?
De que vale ter coração,
se não compra colar de prata
banhado a ouro,
não compra alianças,
não compra apartamento,
nem pérolas ou diamantes?
De que vale ter coração,
se sua luz não ilumina,
só faz penumbra?
De que vale ter coração,
se é apenas passageiro
e não o condutor?
De que vale ter coração,
se bombeia apenas sangue,
se não bate a dar-se lucro,
se riqueza é ter dinheiro
e nenhum dinheiro
dele provém?
De que vale ter coração,
se não se pode comprar vida
escrevendo poesia?
De que vale ter coração?
Se ao final do dia,
dados as alegrias e tristezas,
somados os poemas,
empilhados os sentimentos,
esquecidas as palavras,
engolidas as mágoas,
enrustidos os desejos,
meu coração não vale nada.
se não compra colar de prata
banhado a ouro,
não compra alianças,
não compra apartamento,
nem pérolas ou diamantes?
De que vale ter coração,
se sua luz não ilumina,
só faz penumbra?
De que vale ter coração,
se é apenas passageiro
e não o condutor?
De que vale ter coração,
se bombeia apenas sangue,
se não bate a dar-se lucro,
se riqueza é ter dinheiro
e nenhum dinheiro
dele provém?
De que vale ter coração,
se não se pode comprar vida
escrevendo poesia?
De que vale ter coração?
Se ao final do dia,
dados as alegrias e tristezas,
somados os poemas,
empilhados os sentimentos,
esquecidas as palavras,
engolidas as mágoas,
enrustidos os desejos,
meu coração não vale nada.
quarta-feira, 24 de maio de 2017
Amargurado
Ao meu apelo
tu respondes com silêncio.
Reconfortante.
Engasga-te com seu silêncio.
Faça de tuas poucas palavras
a minha sentença de morte,
para que eu fique tão morto
quanto teu coração.
Não te preocupes em me enterrar,
nem em me levar flores,
já me deste em vida
o pior de teus espinhos.
Engasga-te com tuas mentiras,
com teu descaso,
com teu orgulho.
E dizes que me amas,
dizes que serei para sempre teu;
à merda com tudo isso.
Já me provaste que não é verdade.
À merda com tudo isso.
Serei somente, para sempre
amargurado.
tu respondes com silêncio.
Reconfortante.
Engasga-te com seu silêncio.
Faça de tuas poucas palavras
a minha sentença de morte,
para que eu fique tão morto
quanto teu coração.
Não te preocupes em me enterrar,
nem em me levar flores,
já me deste em vida
o pior de teus espinhos.
Engasga-te com tuas mentiras,
com teu descaso,
com teu orgulho.
E dizes que me amas,
dizes que serei para sempre teu;
à merda com tudo isso.
Já me provaste que não é verdade.
À merda com tudo isso.
Serei somente, para sempre
amargurado.
terça-feira, 9 de maio de 2017
Fumaça
A fumaça densa desenha carros;
e os carros densos, em denso movimento,
fazem do céu sua pintura
de fumaça sobre tela.
Seus pulmões aspiram e cospem poeira,
e tumores passeiam por suas teias
de tabaco e nicotina.
E diante do vasto vazio de tudo isso,
não há deuses que retenham
o poder da salvação
da insignificância.
Só há fumaça,
que rodopia pela via láctea;
pelo imenso vale da morte do universo,
só resta a lembrança
daquilo que já foi vivo.
Diante do vasto vazio de tudo isso,
cada qual é Deus
diante do vasto vazio
de si mesmo.
e os carros densos, em denso movimento,
fazem do céu sua pintura
de fumaça sobre tela.
Seus pulmões aspiram e cospem poeira,
e tumores passeiam por suas teias
de tabaco e nicotina.
E diante do vasto vazio de tudo isso,
não há deuses que retenham
o poder da salvação
da insignificância.
Só há fumaça,
que rodopia pela via láctea;
pelo imenso vale da morte do universo,
só resta a lembrança
daquilo que já foi vivo.
Diante do vasto vazio de tudo isso,
cada qual é Deus
diante do vasto vazio
de si mesmo.
segunda-feira, 8 de maio de 2017
Tijolo Por Tijolo
Tragam
as pás,
o cimento e
a argamassa, liguem as
ligas, entortem as vigas, empilhem
as tristezas com cimento e areia,
façam trincheiras de concreto, e construam
a muralha ao redor de mim, tijolo por tijolo.
Dê-me o martelo, deixa-me quebrar
esta muralha mórbida e fria, me
deixe derrubar este muro de
lamentação inútil e indulgente,
deixe-me destruir
tijolo por
tijolo.
as pás,
o cimento e
a argamassa, liguem as
ligas, entortem as vigas, empilhem
as tristezas com cimento e areia,
façam trincheiras de concreto, e construam
a muralha ao redor de mim, tijolo por tijolo.
Dê-me o martelo, deixa-me quebrar
esta muralha mórbida e fria, me
deixe derrubar este muro de
lamentação inútil e indulgente,
deixe-me destruir
tijolo por
tijolo.
quarta-feira, 26 de abril de 2017
Quando Ela Passa
Para Matheus Camargo
Ela passou, passa, e passando, passará;
e quando ela passa,
não há veia em meu corpo
que não se dilate em desespero.
Quando ela passa em passos de concreto,
minhas paredes racham,
minhas colunas desabam,
minhas estruturas bambas
desfazem-se à pó.
Minha paixão silenciosa
vai, sem precisar dizer nada.
Já disse, diz, e dizendo, dirá,
que não disse nada.
Não há olhos vivos que não vejam
como meus olhos vivos doem-se
em vê-la,
quando ela passa.
Ela passou, passa, e passando, passará;
e quando ela passa,
não há veia em meu corpo
que não se dilate em desespero.
Quando ela passa em passos de concreto,
minhas paredes racham,
minhas colunas desabam,
minhas estruturas bambas
desfazem-se à pó.
Minha paixão silenciosa
vai, sem precisar dizer nada.
Já disse, diz, e dizendo, dirá,
que não disse nada.
Não há olhos vivos que não vejam
como meus olhos vivos doem-se
em vê-la,
quando ela passa.
terça-feira, 11 de abril de 2017
Soneto da Rejeição
Para Matheus Camargo
Indiferente, como um retrato, se fazia
o rosto frio, feminino, inexpressivo;
como fizesse um silêncio agressivo,
o grito de desespero não se ouvia.
E por mais alto que fosse o pranto,
nada se ouvia que não fosse quieto;
e o sorriso, por mais que fosse aberto,
nunca inspiraria a nenhum único canto.
E a chuva que caía como a noite,
não apagaria o fogo de não ser quisto,
e de receber a dor triste do açoite.
Lia-se então no olhar que vinha,
nitidamente nele se enxergava,
que amor nenhum ali se tinha.
Indiferente, como um retrato, se fazia
o rosto frio, feminino, inexpressivo;
como fizesse um silêncio agressivo,
o grito de desespero não se ouvia.
E por mais alto que fosse o pranto,
nada se ouvia que não fosse quieto;
e o sorriso, por mais que fosse aberto,
nunca inspiraria a nenhum único canto.
E a chuva que caía como a noite,
não apagaria o fogo de não ser quisto,
e de receber a dor triste do açoite.
Lia-se então no olhar que vinha,
nitidamente nele se enxergava,
que amor nenhum ali se tinha.
terça-feira, 4 de abril de 2017
Lhe Cantaria o Mundo Inteiro
Para Pâmela Oliveira
Meu amor eu lhe cantaria,
e lhe cantaria o mundo inteiro;
proclamaria-lhe sobre um palco,
atuaria-lhe em mil teatros,
pintaria-lhe mil quadros,
escreveria-lhe mil sonetos.
Não cansaria de anunciá-lo
em toda língua ou dialeto
que eu souber pronunciar.
Não o limitaria à gramática;
meu amor seria verbo transitivo, intransitivo,
seria adjetivo, advérbio ou adjunto,
seria substantivo abstrato.
E ao cantá-lo,
não o limitaria à forma, métrica ou rima.
Não lhe podaria as asas
para encaixar-lhe em poesia artificial,
não o moldaria a formatos irreais
para se passar por perfeição.
Não haveria acordes o suficiente
em toda a escala musical
que compusessem sinfonia
para dançar à sua voz.
Traria-lhe todos os cantos
do Brasil e do mundo;
faria-lhe rainha da Espanha,
faria-lhe minha virgem dos lábios de mel:
minha Iracema,
faria-lhe minha garota de Ipanema.
Tomaria o sol para dançar tango,
e do céu faria passarela,
de todo o espaço faria espelho,
da galáxia faria pista de dança
para que todos os planetas dançassem
ao som de sua risada.
E subiria às alturas,
e com todo o meu ser,
com toda a minha voz,
com todo o ar de meus pulmões
e por toda a minha vida,
eu diria:
eu te amo.
Meu amor eu lhe cantaria,
e lhe cantaria o mundo inteiro;
proclamaria-lhe sobre um palco,
atuaria-lhe em mil teatros,
pintaria-lhe mil quadros,
escreveria-lhe mil sonetos.
Não cansaria de anunciá-lo
em toda língua ou dialeto
que eu souber pronunciar.
Não o limitaria à gramática;
meu amor seria verbo transitivo, intransitivo,
seria adjetivo, advérbio ou adjunto,
seria substantivo abstrato.
E ao cantá-lo,
não o limitaria à forma, métrica ou rima.
Não lhe podaria as asas
para encaixar-lhe em poesia artificial,
não o moldaria a formatos irreais
para se passar por perfeição.
Não haveria acordes o suficiente
em toda a escala musical
que compusessem sinfonia
para dançar à sua voz.
Traria-lhe todos os cantos
do Brasil e do mundo;
faria-lhe rainha da Espanha,
faria-lhe minha virgem dos lábios de mel:
minha Iracema,
faria-lhe minha garota de Ipanema.
Tomaria o sol para dançar tango,
e do céu faria passarela,
de todo o espaço faria espelho,
da galáxia faria pista de dança
para que todos os planetas dançassem
ao som de sua risada.
E subiria às alturas,
e com todo o meu ser,
com toda a minha voz,
com todo o ar de meus pulmões
e por toda a minha vida,
eu diria:
eu te amo.
segunda-feira, 20 de março de 2017
Pâmela
Para Pâmela Oliveira
Talvez aos olhos de outrem,
não seja o mais belo ser
que, pela terra, lança seus passos;
mas não é a outrem
a quem arquiteta seus abraços.
Aos meus olhos, é sim
o mais belo ser,
criação de alguém;
de Deus, de Alá,
de Xangô, de Ogum ou Iemanjá,
ou de ninguém;
do ventre livre que lhe deu à luz.
É você, morena dos olhos negros e gentis,
a inocência e a indecência,
dentro do mesmo imperfeito ser.
Os anéis de teus cabelos,
que rodeiam meus sonhos e meu coração,
fazem-se de corda bamba,
e a mim fazem de equilibrista,
sobre os abismos acidentados
de um amor imenso.
E os anéis de suas palavras
que dançam livremente ao vento
hão de ter eternamente meus ouvidos, como templo
para as inquietações de sua voz.
Tal qual a gralha e a araucária,
em meu coração poeta vagabundo
plantou a inquietude pungente
de saber amar.
Azar de quem não sabe que a vida
é tão inegavelmente bonita
quando se tem ao seu lado
alguém que sabe que o espetáculo do amor
tem de continuar.
Talvez aos olhos de outrem,
não seja o mais belo ser
que, pela terra, lança seus passos;
mas não é a outrem
a quem arquiteta seus abraços.
Aos meus olhos, é sim
o mais belo ser,
criação de alguém;
de Deus, de Alá,
de Xangô, de Ogum ou Iemanjá,
ou de ninguém;
do ventre livre que lhe deu à luz.
É você, morena dos olhos negros e gentis,
a inocência e a indecência,
dentro do mesmo imperfeito ser.
Os anéis de teus cabelos,
que rodeiam meus sonhos e meu coração,
fazem-se de corda bamba,
e a mim fazem de equilibrista,
sobre os abismos acidentados
de um amor imenso.
E os anéis de suas palavras
que dançam livremente ao vento
hão de ter eternamente meus ouvidos, como templo
para as inquietações de sua voz.
Tal qual a gralha e a araucária,
em meu coração poeta vagabundo
plantou a inquietude pungente
de saber amar.
Azar de quem não sabe que a vida
é tão inegavelmente bonita
quando se tem ao seu lado
alguém que sabe que o espetáculo do amor
tem de continuar.
segunda-feira, 13 de março de 2017
Pela Eternidade
Para Pâmela Oliveira
Quereria meu coração
ter as batidas suficientes
para amar-te
pela eternidade.
Quereria minha voz
ter as pregas vocais suficientes
para cantar com você
pela eternidade.
Quereriam meus pulmões
terem o ar suficiente
para te respirar
pela eternidade.
Quereria minha boca
ter a saliva suficiente
para beijar-te
pela eternidade.
Quereria minha pele
ter o tecido nervoso suficiente
para te sentir
pela eternidade.
Quereria minha vida
ter os anos suficientes
para passá-los com você
pela eternidade.
Quereria meu coração
ter as batidas suficientes
para amar-te
pela eternidade.
Quereria minha voz
ter as pregas vocais suficientes
para cantar com você
pela eternidade.
Quereriam meus pulmões
terem o ar suficiente
para te respirar
pela eternidade.
Quereria minha boca
ter a saliva suficiente
para beijar-te
pela eternidade.
Quereria minha pele
ter o tecido nervoso suficiente
para te sentir
pela eternidade.
Quereria minha vida
ter os anos suficientes
para passá-los com você
pela eternidade.
segunda-feira, 6 de março de 2017
Para Ana?
Cara desconhecida,
a você eu dedicaria
toda a vã inspiração de minha poesia;
a você eu daria os pensamentos,
meus pesares e descontentamentos,
se ao menos o seu nome eu soubesse.
Cara morena dos cabelos curtos,
teu olhar é desdenhoso e teu andar é dolorido,
mas eu te desejaria,
eu te quereria,
se eu pudesse.
Minha cara idealização,
sei que não sou mais que um galho quebrado
em teu caminho de pedras;
não sou mais que a folha
que, ocasionalmente,
passeia em teus cabelos.
É você quem faz esta poesia sem ritmo
e sem rimas,
como as batidas de meu coração
quando você passa.
Você, que talvez contentaria
meu ser eterno descontente,
você, que talvez me inspiraria
a escrever algo decente.
a você eu dedicaria
toda a vã inspiração de minha poesia;
a você eu daria os pensamentos,
meus pesares e descontentamentos,
se ao menos o seu nome eu soubesse.
Cara morena dos cabelos curtos,
teu olhar é desdenhoso e teu andar é dolorido,
mas eu te desejaria,
eu te quereria,
se eu pudesse.
Minha cara idealização,
sei que não sou mais que um galho quebrado
em teu caminho de pedras;
não sou mais que a folha
que, ocasionalmente,
passeia em teus cabelos.
É você quem faz esta poesia sem ritmo
e sem rimas,
como as batidas de meu coração
quando você passa.
Você, que talvez contentaria
meu ser eterno descontente,
você, que talvez me inspiraria
a escrever algo decente.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
De Meu Cadáver
Para Pâmela Oliveira
Eu te juro que
as frias carnes,
os olhos sem luz,
as unhas amareladas,
a pele apodrecida
e os ossos quebradiços
de meu cadáver
ainda te amarão.
Eu te juro que
as frias carnes,
os olhos sem luz,
as unhas amareladas,
a pele apodrecida
e os ossos quebradiços
de meu cadáver
ainda te amarão.
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